Santos Silva: decisão de Trump é "contraproducente e prematura"

Ministro dos Negócios Estrangeiros crê que decisão de Donald Trump de tranferir embaixada em Israel para Jerusalém poderá provocar "uma incerteza que será um elemento adicional de perturbação".

Segundo o ministro, o trabalho diplomático “não deve ser perturbado por gestos intempestivos"
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Segundo o ministro, o trabalho diplomático “não deve ser perturbado por gestos intempestivos" Miguel Manso

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, classifica a decisão de Donald Trump de reconhecer Jerusalém como capital de Israel e mudar a embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém como “contraproducente e prematura”. Em declarações prestadas à TSF, o ministro garantiu que a embaixada portuguesa se manterá em Telavive.

“Reconhecemos o Estado de Israel, temos muito boas relações com a Autoridade Palestiniana, que tem em Portugal uma missão diplomática plenamente reconhecida” e “no quadro da União Europeia favorecemos e trabalhamos para a solução dos dois Estados”, referiu Augusto Santos Silva.

O ministro dos Negócios Estrangeiros mostrou preocupação com as consequências da decisão do Presidente norte-americano: “Julgo que provocará uma incerteza que será um elemento adicional de perturbação que, na minha opinião, deveria ser evitado”.

Quando questionado, na mesma entrevista, sobre a posição de Portugal, o ministro afirmou que Portugal não acompanha os EUA, explicando que o trabalho diplomático “não deve ser perturbado por gestos intempestivos e que não contribuem para caminharmos todos na única solução que garante a estabilidade e paz ao Médio Oriente”.

Em declarações à Lusa, o ministro disse ainda esperar que a decisão de Trump não leve a um aumento de violência. "Uma escalada de tensão também nos afastaria da solução. Na minha opinião, a decisão de reconhecer Jerusalém como capital do estado de Israel, quer dizer não reconhecer que Jerusalém é também uma cidade palestiniana", disse.

"Espero bem que esta decisão norte-americana, a consumar-se, não desperte nenhuma escalada de tensão e violência no Médio Oriente, porque isso afastar-nos-ia ainda mais da solução pacífica para este conflito", concluiu.

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