Como Harry conheceu Meghan

Na entrevista à BBC, o casal revela que se conheceu através de uma amiga comum.

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O casal em entrevista à BBC DR
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Ao início da tarde, o casal numa sessão de fotografias LUSA/FACUNDO ARRIZABALAGA

Harry nunca tinha ouvido falar de Meghan e Meghan tinha uma ideia ou outra sobre a família real britânica, mas foi assunto com o qual nunca perdeu muito tempo. Até que se conheceram através de uma amiga comum. Esta segunda-feira começou com o anúncio de que o príncipe Harry já tinha pedido a mão da actriz norte-americana Meghan Markle, no início do mês; ao princípio da tarde, o casal apresentou-se para as fotografias da praxe; e ao final da tarde sentou-se num sofá para uma entrevista à BBC, em que revelou tudo o que quer que o público saiba sobre a sua relação.

Como tudo começou
Harry conheceu Meghan através de uma amiga em comum. Conheceram-se em Londres e foi um blind date, ou seja, um encontro em que nenhum dos dois sabia muita coisa sobre com quem ia encontrar-se. A única coisa que Meghan perguntou à amiga – a qual o casal quer proteger dos olhares públicos, mas que os meios britânicos especulam que será a designer Misha Nonoo – é se Harry era simpático. “Se não fosse, não faria sentido conhecermo-nos”, confessa na entrevista à BBC, feita pela jornalista Mishal Husain.

Quanto a Harry, ficou na mesma quando a amiga lhe disse que se tratava de Meghan Markle. “Nunca tinha ouvido falar dela”, disse, por seu lado, lembrando que pediu “mais pormenores sobre ela” à amiga.

Depois do primeiro encontro, veio o segundo, porque descobriram que tinham muita coisa em comum. “Foi das primeiras coisas sobre o que falamos quando nos conhecemos: o que queremos fazer”, revela Markle. Ambos estão envolvidos em projectos e causas humanitárias. 

Como se mantém um namoro à distância
Depois de dois encontros, Harry tinha compromissos em África e Meghan no Canadá, onde gravava a série Suits. Cada um foi à sua vida, mas o príncipe arriscou e, “três ou quatro semanas depois”, convidou a actriz para ir ter com ele ao Botswana – “persuadi-a”, precisa – e foi “foi fantástico conhecê-la”, declara Harry. Ali estavam eles, “juntos, no meio do nada”, recorda.

Durante cinco ou seis meses, o casal conseguiu manter a relação em segredo, embora a família mais próxima soubesse. Foi um tempo de privacidade e que serviu para se conhecerem melhor. “Nunca estivemos mais de duas semanas sem nos vermos”, conta Meghan. Embora afastados, “sabíamos que nos estavamos a comprometer e que tínhamos de investir” na relação. “Não foi fácil porque implicou muitas viagens” do Canadá para o Reino Unido, acrescenta. A actriz ficava uns dias e voltava, muitas vezes saía do avião e ia logo para o local das filmagens, refere Harry. Mas “resulta e estamos aqui”, afirma o príncipe.

Namorar é em casa
Meghan e Harry passaram muito tempo juntos e em casa, a ver televisão e a fazer o jantar, dizem na entrevista. Essa rotina, com a qual também pretendiam estar longe dos olhares indiscretos, deu-lhes a oportunidade de se conhecerem melhor. E o príncipe dá um conselho a quem os vê: “Calma com os encontros e fiquem mais tempo em casa.”

Durante as estadas de Meghan em Londres, Harry foi apresentando-lhe a família, do lado do pai – rainha incluída –, o irmão e a cunhada que vivem no mesmo complexo do Palácio de Kensington – “são nossos vizinhos”, diz Harry –; e a família do lado da mãe. O casal ia jantar ou beber um chá. “Conseguia que as pessoas estivessem quando ela vinha”, revela Harry. Isso fez com que, pouco a pouco, a norte-americana começasse a sentir-se da família. Uma família que tem sido atenciosa e acolhedora. Para Meghan, foi importante ser apresentada à avó do namorado, Isabel II. “Conhecê-la através dos olhos dele, o amor que ele tem pela avó”, diz. “Ela é uma mulher incrível.”

Conhecer toda a gente fá-la sentir-se não só “parte da instituição como da família”, refere a actriz, que vai deixar a carreira e trabalhar ao lado de Harry, de William e Kate. Quanto à sua família, o namorado já conheceu a mãe – “é fantástica”, classifica –, mas não o pai. É através do comunicado do Palácio de Kensington que sabemos que os pais, Thomas Markle e Doria Ragland, estão muito felizes com a união. Meghan revela que também estão preocupados com tão grande mudança na vida da filha, mas que “nunca a viram tão feliz”.

Os avisos prévios
A família real britânica tem uma relação de amor/ódio com a comunicação social, sobretudo com aquela que vive dos escândalos. Meghan refere que é opinião geral que ela, como actriz, já estava habituada aos holofotes e às fotografias nos jornais, bem como às colunas de mexericos, mas que tal não é verdade. “Vivia uma vida calma” e “não tinha noção”, reconhece, admitindo que deixou de ler o que se escrevia sobre a relação de ambos.

“Tentei avisá-la o mais possível”, acrescenta Harry, lembrando que tiveram todas as conversas sobre o tema, mas que, na verdade, nunca se está realmente preparado para a atenção que lhes é dada.

Em Outubro do ano passado, quando a relação se tornou conhecida do grande público, o príncipe confirmou-a e pediu respeito, sobretudo por causa dos comentários racistas que foram feitos relativamente às origens da namorada. O pai de Meghan é branco e a mãe é negra. Também a jornalista Mishal Husain pergunta à noiva sobre a questão da sua “etnicidade”, e Meghan responde que lamenta que haja pessoas focadas nessa questão e que discriminem os outros. “Tenho orgulho de ser quem sou e de onde venho.”

O pedido de casamento
No início deste mês, o casal estava a preparar o jantar, frango assado, quando Harry pediu Meghan em casamento. Com um joelho no chão, como manda a tradição, o príncipe fez o pedido. “Foi uma surpresa fantástica, tão doce, tão natural, tão romântica”, descreve a actriz. Quando questionada se respondeu de imediato “sim”, confessou que quase não deixou Harry terminar de fazer o pedido. “Já posso dizer que ‘sim’?”, repetia. 

Depois houve abraços e beijos e Harry continuava com o anel na mão. “Posso pôr-te o anel?”, continua a contar o príncipe frente às câmaras da BBC. E o anel tem todo um significado. Não só foi desenhado por Harry como duas das três pedras escolhidas pertenceram à sua mãe, Diana. O anel é de ouro e tem três diamantes: o maior é do Botswana, país que tem um significado especial para ambos, pois foi onde se conheceram melhor; e os dois diamantes mais pequenos que ladeiam o maior pertenciam à colecção da princesa de Gales – Harry lamenta que a mãe não esteja presente e essa foi a parte mais emotiva da entrevista, com Meghan a afagar a mão do namorado, como que confortando-o. 

Antes do pedido, Harry falou com a sua família e pediu autorização à avó, revela a nota do Palácio de Kensington, publicada no início da manhã de segunda-feira quando se tornou pública a intenção de o príncipe se casar na próxima Primavera.

Como vai ser o casamento
Já se sabe que vai ser em Maio e que a família real vai pagar as despesas todas, excepto as de segurança. À pergunta se a família da noiva pagará alguma coisa, o Palácio de Kensington não respondeu.

A cerimónia decorrerá no complexo de Windsor, na Capela de São Jorge, que tem capacidade para 800 pessoas. São esperadas, além de representantes da maior parte das casas reais europeias, algumas celebridades amigas da noiva.

A vida de casados
Já se sabe que Meghan Markel vai abandonar a carreira de actriz, a gravação da série terminou, mas o seu empenho nas causas sociais vai continuar. Aliás, a primeira saída oficial é já nesta sexta-feira, ao lado do noivo. 

“Posso concentrar mais energias noutras causas. Ser uma voz. Levo isso muito a sério”, declara. O casal pretende conhecer mais organizações, causas e comunidades, não só no Reino Unido mas também em toda a Commonwealth. “Somos uma equipa fantástica, sabemos que o somos”, reforça Harry.

Meghan vai pedir a nacionalidade britânica e vai também mudar de religião. Inicialmente, e por ter frequentado um colégio católico, os meios de comunicação social avançaram que a actriz era católica. Esta terça-feira, soube-se que o pai é da Igreja Episcopal, que faz parte da Igreja Anglicana; e a mãe é evangélica. Assim, antes de contrair matrimónio, a actriz será baptizada e fará o crisma, anunciou nesta terça-feira o Palácio de Kensington.

Quantos aos filhos, para já não têm nenhum, brinca Harry para, mais sério, dizer que há que dar "um passo de cada vez". 

O casal representa uma lufada de ar fresco na família real?, pergunta a jornalista. Harry não responde directamente e prefere usar uma metáfora desportiva: Meghan é mais “um jogador na grande equipa, para levar a cabo o nosso trabalho”. O príncipe soube desde o início que a actriz era “a tal”. “Apaixonei-me tão rapidamente... As estrelas estavam alinhadas.”