Sector das agências de viagens “tem espaço para consolidação”

Os portugueses estão a viajar mais, mas para os mesmos sítios, diz o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagem e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira

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Pedro Costa Ferreira, na abertura do congresso da APAVT, que decorre em Macau LUSA/ANTÓNIO MIL-HOMENS

Vê sinais de consolidação no sector, depois da compra da ES Viagens e da Geostar pela Springwater? Esse movimento parou?
Sim, parou, ou pelo menos não houve a esse nível. O mercado está segmentado e é composto sobretudo por micro e pequenas [empresas], e, nesse sentido, haverá com certeza espaço para consolidação. Mas também é verdade que, se compararmos a estrutura empresarial do sector com a do país verificaremos que a dimensão média das empresas das agências de viagens é superior à das empresas em geral. Diria que é um sector pouco consolidado, mas que não é constituído por empresas tão pequenas como às vezes se pode pensar.

Os portugueses estão a viajar mais. Para onde?
Estão a viajar mais, com o lazer com um crescimento próximo dos 10%. O espectro de destinos do mercado português é bastante abrangente, eclético, e até um pouco diversificado a mais tendo em conta a escala do sector. Não houve uma grande alteração nos destinos, o que houve foi crescimento. Obviamente que o turismo interno é o que movimenta mais pessoas; no médio curso Cabo Verde continua a ser um grande destino, assim como a Madeira, o Sul de Espanha, as ilhas espanholas; e na Europa a Disneyland é um produto que tem tido também fortes crescimentos. No longo curso, o Caribe, pela sua estrutura de movimentos charter, é o destino-estrela, e o Brasil também tem revelado alguma dinâmica importante este ano.

O que é mais destaca no estudo da Augusto Mateus & Associados e da EY?
Destaco o facto de o sector continuar atractivo, com o surgimento de novas empresas a ser muito superior à média nacional, e de, entre 2012 e 2016, o sector ter crescido mais do que a economia do país. Destaco o facto de, no sector do turismo, e de que tantas vezes se fala que produz emprego mas com formação baixa, as agências de viagens destacam-se por empregar pessoal com maior formação do que a média do sector, e destaco o facto de a dimensão média das agências de viagens ser superior à média da economia nacional, na parte das pequenas empresas. Destaco também o facto de, por métodos que se explicam no estudo, representarmos mais de 2% do PIB nacional, o que significa 12% a 13% do sector turístico, números que são muito expressivos e significativos.