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Bruxelas diz que Puigdemont pode ser detido "nas próximas horas"

Ministério Público belga vai dar seguimento aos mandados de detenção emitidos pela justiça espanhola.

Puigdemont viajou para a Bélgica depois de ter sido destituído e antes de ser acusado em Espanha por rebelião e outros crimes
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Puigdemont viajou para a Bélgica depois de ter sido destituído e antes de ser acusado em Espanha por rebelião e outros crimes RTBF Television via REUTERS

O Ministério Público de Bruxelas vai mandar deter o ex-presidente catalão, Carles Puigdemont, e os restantes membros do governo que foi destituído, dando cumprimento ao mandado europeu de detenção emitido pela procuradoria geral em Espanha.

A notícia está a ser avançada por diferentes agências de notícias e jornais espanhóis, acrescentando que a detenção deve ocorrer "nas próximas horas". Depois disso, ser-lhe-á designado um juiz de instrução, para que possa ser ouvido em primeiro interrogatório judicial. O mesmo se aplicará aos ex-conselheiros da Generalitat que permanecem na Bélgica, ao lado do ex-líder catalão que, na sexta-feira, numa entrevista à RTBF, afirmou que colaboraria com as autoridades belgas, prometendo entregar-se, se necessário, à justiça daquele país, mas não à justiça espanhola.

"Para que seja designado um juiz, é necessário deter primeiro as pessoas sobre as quais pendem o mandado de busca", explicou Gilles Dejemeppe, porta-voz do Ministério Público belga e magistrado, em declarações à agência de notícias espanholça Europa Press.

A mesma fonte adiantou ainda que o facto de poderem ser detidos não significa que as pessoas em causa venham a ser algemados "se não apresentarem nem resistência nem risco de fuga".

Os pedidos de captura emitidos pela justiça espanhola foram recebidos no sábado pela Procuradoria Geral da Bélgica, que nas últimas horas desse mesmo dia enviou os processos para os serviços do Ministério Público em Bruxelas, onde presumivelmente se encontram os ex-membros da Generalitat (o governo catalão), segundo adianta o jornal El Mundo, na edição online.

Nesse mesmo dia, através do Twitter, o próprio Puigdemont reforçou a sua intenção de não travar a acção da justiça numa mensagem em neerlandês, garantindo que ele e os seus ex-conselheiros estão "dispostos a colaborar plenamente com a justiça belga no que toca à ordem de detenção emitida por Espanha".

Uma vez sob custódia policial, os ex-governantes em causa serão ouvidos por um juiz, que depois "terá 24 horas para tomar uma decisão", descreve Dejemeppe. Terá duas opções: mantê-los detidos até que sejam entregues a Espanha ou deixá-los em liberdade, fixando medidas de coacção menos gravosas do que a prisão preventiva – medida aplicada, de resto, em Espanha à outra metade do governo catalão que não saiu do país.