PSD diz que o "Estado falhou"

Apresentado primeiro na Assembleia da República e depois em São Bento, ao primeiro-ministro, relatório de Pedrógão suscita primeiras reacções

Bancada do PSD foi a primeira a reagir
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Bancada do PSD foi a primeira a reagir Rui Gaudêncio

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, afirmou esta quinta-feira que a comissão técnica aos incêndios funcionou com "total independência" e que o relatório que elaborou deve ser "por todos valorizado". Carlos Abreu Amorim foi, porém, mais duro. O deputado do PSD acusou o Estado de ter falhado e apontou como responsáveis a ministra da Administração Interna e o primeiro-ministro, que a mantém em funções.

"O PSD não pede a demissão da ministra da Administração Interna porque o PSD não pede a demissão de nenhum membro do Governo, mas chama a atenção de que, a partir do momento em que temos este relatório nas nossas mãos, é absolutamente impossível que o poder político fique alheado destas conclusões", afirmou o vice-presidente da bancada do PSD Carlos Abreu Amorim, em conferência de imprensa no Parlamento.

O social-democrata defendeu ainda que, perante as conclusões do relatório hoje divulgado, "está tecnicamente provado" que "o Estado falhou" e, portanto, deve assumir as suas responsabilidades.

Questionado se o PSD pretende o pagamento imediato de indemnizações às vítimas dos incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande, Carlos Abreu Amorim denunciou o que classificou como "boicote parlamentar" do PS.

De acordo com o deputado do PSD, na quarta-feira à noite, na Comissão de Agricultura, o PS apresentou uma série de iniciativas que "esvaziam" um diploma já aprovado na generalidade - com o acordo de PSD, CDS, PCP e BE - e que previa a criação de um mecanismo extrajudicial para um pagamento das indemnizações em cerca de seis meses.

"Aquilo que vai existir com este boicote parlamentar do PS, a que os partidos de extrema-esquerda aderiram, foi que as regras normais da indemnização é que vão passar a ser aplicadas nos casos dos lesados de Pedrógão", acusou, considerando que em vez de seis meses vão ter de esperar "anos e anos" até poderem ser indemnizados.

Marcelo ligou às vítimas

Antes, soube-se que Marcelo Rebelo de Sousa, que no sábado estará em Pedrógão para abrir o 1º Encontro para a Autoprotecção e Resiliência das Populações Locais, ligou à Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande.

A Comissão Técnica Independente sobre os incêndios de Junho concluiu terem existido falhas no comando do combate ao fogo e que faltaram medidas que "poderiam ter moderado" os seus efeitos.

Outra das conclusões do relatório da comissão foi a de que o alerta precoce poderia ter evitado a maioria das 64 mortes registadas no incêndio que começou em 17 de Junho em Pedrógão Grande.

No item intitulado "O que poderia ter sido diferente", lê-se que "esta ausência de alerta precoce, por não ter sido feita a leitura do incêndio às 18h (e mesmo antes), não permitiu impedir a maioria das fatalidades".

Este trabalho de antecipação, acrescenta a comissão, "deveria ter sido feito no seio do comando e planeamento desta operação de socorro e deveria ter resultado na mobilização dos meios necessários, incluindo a GNR, para evitar que se tivesse verificado uma fuga para a morte, tal como veio a acontecer".

O presidente da comissão, João Guerreiro, afirmou, depois de ter entregado o relatório de 296 páginas ao presidente do Parlamento, Ferro Rodrigues, que "as medidas que deveriam ter sido tomadas, da responsabilidade do comando, e imediatamente a seguir ao início do incêndio, poderiam ter moderado os efeitos".

Especialmente entre as 15h e as 16h poderia ter havido uma "antecipação de medidas", designadamente "a retirada das pessoas das aldeias", disse o ex-reitor da Universidade do Algarve, sublinhando que existem "mais de 100 pequenos aglomerados" na zona.

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