Uber alarga negócio à encomenda de comida em Lisboa

Empresa vai lançar a UberEATS na capital até ao final do ano.

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O enquadramento legal para a Uber operar em Portugal enquanto alternativa aos táxis ainda não saiu do Parlamento, mas a empresa já está a alargar o seu negócio. Até ao final do ano, segundo um comunicado da empresa divulgado ontem, vai ser lançada em Lisboa a UberEATS,  uma aplicação para “descobrir e encomendar comida”.

De acordo com a Uber, liderada  em Portugal por Rui Bento, está já em campo uma equipa cuja missão é “estabelecer parcerias com os melhores restaurantes da cidade, dando-lhes acesso a uma nova ferramenta que lhes permitirá aumentar a sua base de clientes e melhorar a sua eficiência”. Aqui, o preço será certamente uma arma, com a empresa a afirmar que a sua aplicação de entrega de refeições irá “trazer importantes oportunidades económicas flexíveis a centenas de lisboetas”. Além da adesão dos restaurantes, a empresa está à procura de “parceiros de entrega ou estafetas”. Neste caso, a empresa aposta forte no facto de as pessoas não se quererem movimentar, fazendo a comida ir até si. Nesta fase, segundo fonte oficial ligada à empresa, não há planos para alargar a operação a outras cidades. 

No site, a Uber garante que o tempo médio dos pedidos será de 35 minutos, e que “não é necessário dar gorjeta”. “Quando estiver pronto para fazer o pedido, visualizará um total que inclui o preço dos alimentos e a entrega”, refere a Uber, acrescentando que o pedido pode ser acompanhado através do site até ao momento da entrega.

Este serviço, que englobará restaurantes de várias dimensões, já é efectuado pela Uber em mais de cem cidades, tendo essa fasquia sido ultrapassada no início de Junho com Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no Brasil. E, embora actualmente já existam empresas a prestar este tipo de serviços, a entrada da Uber promete fazer subir a actual escala do negócio. 

No que toca ao transporte de passageiros, a Uber -- e as outras empresas do sector -- aguarda ainda pelo Parlamento de modo a perceber em que moldes poderá operar. Isto depois de, em Março, os diplomas ligados à legalização das plataformas electrónicas de transporte, onde se inclui o do PS, terem baixado à Comissão Parlamentar de Economia, Inovação e Obras Públicas (sem voto prévio em plenário). Neste momento, ainda nem se conhece o calendário das audições das várias personalidades ligadas ao sector, desde os táxis aos seus novos concorrentes, a Uber e a Cabify, passando pelo regulador, o IMT, e pelas autarquias.

No caso da iniciativa do partido do Governo, os deputados não contemplaram a imposição de contingentes (ou seja, um número máximo por município, como no caso dos táxis), ao contrário do que pretende o Bloco na sua proposta de diploma.

Ao mesmo tempo que se prolonga a indefinição sobre as plataformas electrónicas de transporte, os taxistas continuam os seus protestos, como aconteceu na última sexta-feira, no Porto. De acordo com a Lusa, a Comissão dos Profissionais de Táxi do Porto juntou cerca de 50 taxistas junto à Estação de Campanhã, acusando o Governo de não apoiar quem contribui para a economia nacional e “assobiar para o lado” para os que contribuem para uma “economia paralela”.

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