Desafio do ministro encontrou eco nas instituições

Manuel Heitor pediu às universidades e politécnicos alternativas de recepção aos caloiros. Cultura e ciências foram as principais opções.

Na semana que agora terminou não faltaram actividades de praxe mais e menos alternativas, no Porto
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Na semana que agora terminou não faltaram actividades de praxe mais e menos alternativas, no Porto Nelson Garrido

No arranque do novo ano lectivo, o ministro da Ciência e Ensino Superior tinha pedido às instituições que “dessem a volta à praxe”, encontrando alternativas. Numa carta enviada às universidades e politécnicos, e em várias intervenções públicas, Manuel Heitor apontou a cultura e a ciência como áreas prioritárias. A resposta foi positiva, com a generalidade das instituições a criarem este ano — ou a reforçarem — programas de acolhimento. O ministério tem-se empenhado em promover muitos deles.

Na próxima semana, a Universidade do Minho organiza o Festival de Outono, com programação reforçada face aos anos anteriores, incluindo música, teatro ou cinema. Os espectáculos tanto incluem projectos nascidos nos cursos artísticos da instituição, como artistas consagrados como Dead Combo (sexta-feira, 29) e Legendary Tiger Man, no dia seguinte.

O programa alternativo à praxe vai levar, por exemplo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa a fazer concertos em várias cidades do país com instituições de ensino superior, como o Porto, na próxima terça-feira, e Guimarães, no dia seguinte, e em Outubro em Setúbal (dia 19), Vila Real (25) e Bragança (26).

Criada pela Direcção-Geral do Ensino Superior, a plataforma www.exarp.pt serve para divulgar actividades de música, desporto, cultura científica, responsabilidade social que têm como objectivo ajudar a integrar os novos alunos. As iniciativas com o selo exarp — “praxe” escrita ao contrário — arrancaram este mês. No próximo (dia 11), o Politécnico do Porto organiza um concerto no Teatro Rivoli, que está a ser preparado por Manuel Cruz, o antigo líder dos Ornatos Violeta, envolvendo várias bandas emergentes da cidade.

Mas não foi só a cultura a merecer atenção das universidades e politécnicos. Programas de formação ou visitas a laboratórios científicos foram também propostas das instituições. O Centro de Investigação em Arquitectura, Urbanismo e Design da Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Botânica, vão dinamizar o projecto Botânica — Arte na Natureza para colocar os estudantes em contacto com a disciplina durante o próximo mês.

No ano lectivo passado, Heitor já tinha criticado a praxe, numa carta a todas as instituições de ensino. Defendia que não deveria ser dado nenhum tipo de reconhecimento às comissões que a organizam. Nesse ano, a tutela recebeu nove queixas de actos violentos ou coercivos em praxes académicas.