Incêndios: 118 mil hectares ardidos desde o início do ano e 71 detidos

“Sabemos onde começam os incêndios nunca sabemos onde terminam”, disse Rui Esteves, comandante operacional nacional da Protecção Civil.

No último balanço semanal o total de área ardida era de 75.264 hectares
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No último balanço semanal o total de área ardida era de 75.264 hectares LUSA/Nuno André Ferreira

O comandante operacional nacional da Protecção Civil, Rui Esteves, revelou esta terça-feira que desde o início do ano arderam 118 mil hectares, foram registadas 8551 ocorrências de fogo florestal e detidas 71 pessoas.

Numa conferência de imprensa realizada na Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), Rui Esteves alertou para o facto de actualmente os incêndios terem “um comportamento totalmente diferente devido ao combustível acumulado nas florestas e à ausência de ordenamento”, o que faz com que sejam mais severos.

No último balanço semanal, realizado a 25 de Julho, o total de área ardida era de 75.264 hectares e já era o maior no mesmo período da última década. Aliás, os 118 mil hectares que arderam desde Janeiro superam já o total da área ardida nos anos de 2015 (64.444), 2014 (19.930), 2012 (110.232) ou 2011 (73.829).

“Sabemos onde começam os incêndios nunca sabemos onde terminam”, disse Rui Esteves, dando como exemplo que alguns incêndios este ano após dez minutos de fogo chegaram a ter projecções de cerca de 200 metros, algo “impensável no passado”.

O comandante nacional da ANPC explicou que os principais factores que têm condicionado os incêndios são “a disponibilidade dos combustíveis face à sua elevada secura, a grande quantidade de combustível acumulado nos solos e ainda a ocorrência de episódios com temperaturas muito elevadas e ventos moderados a fortes”.

Além da falta de ordenamento e da acumulação de combustíveis nos terrenos a percentagem de seca no território também não ajuda no combate aos incêndios.

Este ano, 7,3% do território nacional está em seca extrema e 72,3% em seca severa, percentagens que contrastam com os 38% em que caiu chuva severa registados em Julho de 2016, segundo dados do IPMA.

No que se refere aos fogos que deflagraram entre 25 e 31 de Julho, foram detectados 870 incêndios florestais, mobilizados 27.427 operacionais que foram apoiados por 7665 veículos e 559 missões com meios aéreos.

Os distritos que tiveram maiores ignições de fogo foram o do Porto, Viseu e Aveiro e os que tiveram maior área ardida foram Santarém, Castelo Branco e Portalegre.

Para a próxima semana, Rui Esteves manifestou-se “preocupado com o nível elevado de risco de incêndios previsto para os próximos dias”, prevendo-se uma subida de temperatura, uma diminuição da humidade relativa do ar e vento forte, especialmente nas terras altas, a partir de quinta-feira.

O nível elevado de riscos de incêndio não significa que eles ocorram, porém, referiu o responsável da ANPC, caso deflagrem serão "seguramente severos e terão comportamentos muito agressivos".

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