Scaramucci ataca colaboradores de Trump com a sua “linguagem colorida” (e grosseira)

O director de comunicação da Casa Branca garante que vai “eliminar” quem interferir na agenda do Presidente dos EUA.

Foto
Reuters/JOSHUA ROBERTS

O novo director de comunicação de Donald Trump chegou à Casa Branca e está decidido a “eliminar” quaisquer inimigos que existam na equipa do Presidente norte-americano – ou quem quer que se atravesse no seu caminho. Anthony Scaramucci não ficou satisfeito com a divulgação de um jantar que teve com Trump na quarta-feira à noite e decidiu ligar a um jornalista da revista New Yorker, ameaçando demitir toda a equipa de comunicação da Casa Branca caso ele não lhe revelasse a sua fonte. Numa linguagem sem filtros, ameaçou “matar todos os delatores” da Administração Trump. Minutos depois da conversa, lançou-se ao Twitter para insinuar que o chefe de gabinete do Presidente, Reince Priebus, seria o responsável por fugas de informação.

A história é contada num artigo publicado esta quinta-feira, ao final do dia, pelo próprio repórter, Ryan Lizza. Na origem do telefonema está um tweet do jornalista, que colocava na mesma mesa o Presidente norte-americano, Scaramucci e dois outros nomes mediáticos.

"Furo: Trump está esta noite a jantar com Sean Hannity [locutor de rádio e de televisão], Bill Shine [antigo executivo da Fox News] e Anthony Scaramucci, de acordo com duas fontes com conhecimento", lê-se no primeiro tweet.

Num segundo tweet acrescenta: "funcionários da Casa Branca dizem-me que Melania [a primeira-dama] também está a jantar com Trump, Hannity, Shine e Scaramucci".

“Quem é que te disse isso?”, exigiu saber Scaramucci. E continuou. “Vou fazer o seguinte: vou eliminar toda a gente na equipa de comunicação e começar de novo.” O director de comunicação de Trump continuou a pressionar o jornalista e queixou-se da sua equipa. “Pedi a estes tipos para não passarem nada [aos media] e eles não conseguem evitá-lo. Você é um cidadão americano, isto é uma grande catástrofe para os EUA. Portanto peço-lhe, como patriota americano, que me dê umas luzes sobre quem lhe disse isto", insistiu.

Face à resistência do jornalista da New Yorker, Anthony Scaramucci continuou a disparar – e sem filtrar a sua linguagem, recorrendo frequentemente à "f-word" e a todas as suas variações, relata Ryan Lizza.

Scaramucci acusou Priebus de ser “o raio de um paranóico esquizofrénico” (no original, “a fucking paranoid schizophrenic”) e avançou que lhe será exigido o afastamento das suas funções. Insultou a equipa, insultou a imprensa e fez questão de sublinhar e avisar que não iria comportar-se como Steve Bannon.

“Eu não sou o Steve Bannon. Não estou a tentar chupar a minha própria pila”, asseverou (o original é “I'm not trying to suck my own cock”). "Não estou a tentar deixar a minha marca, lixando a força do Presidente. Estou aqui para servir o país", continuou o director de comunicação, referindo-se às suspeitas de que Bannon, o controverso conselheiro de Trump, seja também uma das principais fontes das inúmeras fugas de informação.

O tom agressivo não parou aqui e Scaramucci fez questão de fazer saber que irá “eliminar” todos os que interferirem com os seus interesses (que, acredita, coincidem com os interesses nacionais). "O que eu quero é matar a porra de todos os delatores e encarreirar a agenda do Presidente para que possamos trazer sucesso ao povo americano", declarou.

Esta conversa chegou mesmo a ser referida por Scaramucci na manhã de quinta-feira, quando entrou em directo no programa New Day, da CNN, onde Ryan Lizza é comentador, afirmando que os jornalistas "sabem quem são os responsáveis pelas fugas de informação" e não lhe dizem. Contudo, ao invés de confirmar a acusação directa a Reince Priebus, o director de comunicação da Casa Branca disse antes: "quando eu partilho um tweet com o nome do Reince e eles dizem que o responsável é ele, então ele que explique que não é responsável por fugas de informação."

Uma vez que em nenhum momento da conversa na noite de quarta-feira Scaramucci pediu que as declarações fossem mantidas off-the-record, isto é, que não fossem publicadas, o jornalista escreveu o artigo a denunciar o episódio.

Depois de o artigo ter sido publicado, o director de comunicação da Casa Branca referiu-se de uma forma subtil ao episódio, afirmando que "às vezes" usa uma "linguagem colorida". "Irei reajustar a esta arena, mas não irei desistir da luta apaixonada pela agenda de Donald Trump. #MAGA [Make America Great Again]", escreveu no seu Twitter.

Depois, mostrou algum arrependimento, mas apenas e só “por ter cometido o erro de confiar num jornalista”. “Não voltará a acontecer”, concluiu, num tom que antecipa a continuação da tensa relação entre a Casa Branca e a imprensa. Afinal, a conversa telefónica com o jornalista da New Yorker terá terminado com o seguinte recado de Scaramucci: "Deixe-me dizer-lhe: sou um atirador certeiro".