Entrevista

A geringonça “é extremamente exigente”

O Bloco confia que a legislatura vá até ao fim. É uma aprendizagem para o Bloco, difícil mas positiva, diz o dirigente bloquista

Rui Gaudêncio
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Rui Gaudêncio

O que é que pode impedir este Governo de cumprir a legislatura?
Se o Governo falhar aos compromissos que têm sido assumidos, isso claramente coloca uma pressão que não era expectável. Mas neste momento...

Não lhe parece provável, apesar deste Verão difícil?
Não há verdades absolutas. E eu não tenho uma bola de cristal - já procurei, não consegui arranjar. Não há aqui cheques em branco para ninguém. Estamos disponíveis para dialogar, mas essa disponibilidade para dialogar é com base nas premissas já estabelecidas. Se elas forem sendo cumpridas, se existir esse diálogo, não há motivos para que não chegue ao final da legislatura.

Essa é a vossa atitude, neste momento, como um partido mais responsável?
Responsáveis sempre fomos.

No sentido de ter mais responsabilidades.
Nós temos é um contacto com o Governo que não tínhamos no passado. O que nos deu uma aprendizagem, de formas de relacionamento, obriga-nos a um esforço brutal de preparação (o Bloco tem uma organização ainda a adaptar-se para este modelo). Ajuda-nos a ser mais presentes nas soluções que foram sendo apresentadas. E possibilita-nos sermos mais actuantes junto de membros do Governo. Nós, antes, só podíamos fazer o papel de fiscalização - para além do legislativo. Agora ganhámos a possibilidade de directamente pressionar membros do Governo para determinadas soluções. Temos sucesso? Algumas vezes temos, outras não temos. Compete-nos aprender, também, a gerir estes processos, estas relações de forças. Estamos a aproveitar ao máximo esta experiência. Agora, é extremamente exigente, isso é.