João Vasconcelos: o empreendedor do Governo

O secretário de Estado da Indústria foi o rosto do Web Summit que colocou Lisboa no mapa do ecossistema europeu de start-ups. E estava a procurar implementar o pacote Indústria 4.0, que procura aproximar as indústrias tradicionais da universo digital.

João Vasconcelos já tinha colaborado com um governo socialista, o de José Sócrates.
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João Vasconcelos já tinha colaborado com um governo socialista, o de José Sócrates. dro Daniel Rocha

João Vasconcelos chegou ao Governo depois de ter trabalhado de perto com António Costa na Câmara de Lisboa, como impulsionador do agenda de empreendedorismo digital assente na Start-up Lisboa, um espaço de promoção, desenvolvimento e concretização de ideias inovadoras de negócio para a era digital.

A junção das três componentes, Indústria, Empreendedorismo e Inovação no seu gabinete tornou o antigo consultor do Governo de José Sócrates numa espécie de empreendedor governamental, para tentar levar as indústrias tradicionais a dar o salto da competitividade digital, procurando capitalizar as oportunidades de negócio que a internet estava a criar. É neste espírito que nasce o programa Indústria 4.0, um conjunto de 60 medidas que procura também aproveitar as soluções financeiras disponíveis nos pacotes de fundos europeus. 

O secretário de Estado estava em plena fase de implementação deste programa, ao mesmo tempo que continuava a desenvolver a sua área de especialidade: o mundo das start-ups. A iniciativa Start-up Portugal está já numa fase desenvolvida, com a atribuição de vários tipos de apoios e incentivos financeiros para acelerar o sector dos empreendedores, em parceria com o IAPMEI. 

E João Vasconcelos, que disputou, no início de mandato, algum protagonismo com o seu chefe, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, estava desde o último Verão - que coincidiu com a polémica dos convites para o Euro 2016 - mais discreto, estando ainda assim a começar a preparar uma nova edição do Web Summit. O encontro de start-ups e empreendedores de todo mundo já está a ser preparado, a quatro meses de distância. E o Governo fica agora sem o grande impulsionador desta iniciativa. 

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