Verdes e Bloco de Esquerda defendem responsabilização política, se ela existir

A Lusa questionou todos os partidos com assento parlamentar sobre quais as três questões centrais a esclarecer sobre o incêndio de Pedrógão Grande. PS, PSD e CDS não responderam.

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PEV e BE antecipam debate de quinta-feira sobre floresta e incêndios Miguel Manso

O Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e o Bloco de Esquerda (BE), apoiantes do Governo, defendem uma responsabilização política, se ela existir, sobre o que se passou nos incêndios da semana passada no centro do país.

Em declarações à agência Lusa, o deputado do PEV José Luís Ferreira afirmou que é preciso recolher “todas as informações, não só para apurar as responsabilidades, se as houver”, mas “sobretudo para ver o que falhou no combate [aos incêndios]”.

“Para podermos dizer que aprendemos com os erros e evitá-los no futuro”, acrescentou em resposta à Lusa sobre as três questões que importam esclarecer, sobre o incêndio da semana passada, no debate de quinta-feira no Parlamento ou na comissão técnica independente proposta pelo PSD.

No imediato, porém, José Luís Ferreira advertiu que a prioridade deve ser fazer o “levantamento dos prejuízos desta tragédia”, além da perda de vidas, que não é contabilizável, garantindo, ao mesmo tempo, “todos os meios para apoiar as famílias das vítimas, mas também das pessoas que ficaram sem os seus bens”. Em segundo lugar, surge a referência à recolha de informações e o terceiro ponto destacado pelo deputado do PEV é a defesa de uma “floresta sustentável”.

No debate que quinta-feira, os Verdes querem saber da “disponibilidade do Governo para tomar medidas em defesa de uma floresta mais sustentável, nomeadamente quanto à desertificação do mundo rural, muito ligada à dimensão que os incêndios assumem”.

“É importante a valorização da agricultura, porque o abandono dos campos também alimenta e propicia a progressão dos incêndios e a necessidade de travar a expansão dos eucaliptos, com incentivos para a plantação, por pequenos produtores, de espécies autóctones, com zonas tampão”, justificou.

Numa declaração por escrito à agência Lusa, a direção do Bloco de Esquerda afirma que “este é o tempo de apurar o que falhou e, em função disso, responsabilizar quem deva ser responsabilizado.”

“É por isso importante que sejam concluídas as investigações sobre as causas e evolução dos incêndios, para que seja possível aprender com o que aconteceu e avançar com uma reforma da floresta que combata a mancha contínua de eucalipto e proteja as espécies autóctones”, lê-se ainda na nota do BE.

Para os bloquistas, “importa também esclarecer de que forma as falhas no sistema de comunicações e a falta de meios e articulação dificultaram o combate aos incêndios e o auxílio às populações” e assegurar que “são tomadas desde já medidas para que esta situação não se repita”.

Além disso, o Bloco afirma ainda ser necessário “garantir o apoio às populações no imediato e na necessária reconstrução da actividade produtiva dos territórios afectados”.

A Lusa questionou todos os partidos com assento parlamentar sobre quais as três questões centrais a esclarecer no debate de quinta-feira, agendado pelo PSD, sobre segurança, protecção e assistência às pessoas incêndio de Pedrógão Grande ou através da comissão independente em discussão no Parlamento.

BE, PEV e PCP deram uma resposta, PS, PSD e CDS não responderam.

O PCP não se pronunciou, remetendo para as posições recentes do partido, na sexta-feira, expressas pelo líder comunista, Jerónimo de Sousa, e, no domingo, após o Comité Central.

Numa audição com bombeiros, Jerónimo garantiu que o partido irá recuperar várias iniciativas legislativas sobre floresta e incêndios, criticando a "varinha mágica" do Governo socialista com a sua reforma florestal.

E sobre a comissão técnica sugerida pelo PSD, o líder comunista considerou que não se irá agora “descobrir a pólvora”.

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