Revogar Obamacare pode deixar 22 milhões sem seguro de saúde

Em 2026, com o Obamacare seriam 28 milhões de pessoas sem seguro, com nova proposta seriam 49 milhões.

A proposta foi apresentada pelo líder da maioria conservadora no Senado, Mitch McConnell
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A proposta foi apresentada pelo líder da maioria conservadora no Senado, Mitch McConnell LUSA/MICHAEL REYNOLDS

Durante a próxima década, cerca de 22 milhões de norte-americanos podem perder o seguro de saúde caso seja aprovada a proposta apresentada pelo Partido Republicano em substituição do Obamacare. Esta avaliação foi revelada na segunda-feira pelo Gabinete Orçamental do Congresso e tornará mais difícil a aprovação da proposta que está longe de criar unanimidade na bancada conservadora.

A proposta foi apresentada pelo líder da maioria conservadora no Senado, Mitch McConnell, que agora vê a sua tarefa mais complicada, uma vez que terá de conciliar a proposta com as ideias dos republicanos moderados, que se preocupam com as pessoas que vão perder os seguros. A medida parece não agradar também aos senadores conservadores que dizem que a proposta não é suficiente para revogar o Obamacare.

O mesmo gabinete estima que, em 2026, 49 milhões de pessoas não vão ser abrangidas por seguro de saúde caso esta proposta seja aprovada, um número mais elevado comparando com os 28 milhões de pessoas sem seguro caso se mantenha o Obamacare. Estima-se também que o projecto lei reduziria o défice orçamental em 321 mil milhões de dólares (mais de 287 mil milhões de euros), entre 2017 e 2026. 

O objectivo de McConnell é conseguir agendar a votação já esta semana, antes do feriado de 4 de Julho que assinala a Independência dos Estados Unidos. A maioria republicana tem 52 dos 100 lugares no Senado, sendo que McConnell só poderá perder dois senadores republicanos, contando com o voto decisivo do vice-presidente Mike Pence. Até agora, nenhum democrata demonstrou o seu apoio a esta proposta.

Ainda esta segunda-feira, os republicanos apresentaram alterações à proposta, acrescentando que penalizaria as pessoas que deixem passar a validade do seguro por um período prolongado. A proposta revista impõe um período de espera de seis meses para quem deixa o seguro de saúde caducar por mais de 63 dias e que, seguidamente, queira reinscrever-se num plano no mercado individual.

Durante a campanha, Donald Trump garantiu que assinaria uma nova lei do sistema de saúde que alargaria a cobertura e a qualidade das suas apólices e, ao mesmo tempo, reduziria os custos dos tratamentos e dos prémios que pagam às seguradoras. Contudo, o Partido Republicano não tinha uma alternativa pronta para oferecer aos americanos.