Isabel dos Santos nega razões políticas na exclusão de dois canais da SIC em Angola

Canal de informação e a SIC Internacional África já não são transmitidos no país nas operadoras Zap e DStv.

Isabel dos Santos controla a maioria do capital da operadora de telecomunicações Zap
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Isabel dos Santos controla a maioria do capital da operadora de telecomunicações Zap Fernando Veludo/Nfactos

A empresária Isabel dos Santos, filha do Presidente angolano e dona da operadora de telecomunicações Zap, justifica o fim da transmissão da SIC Notícias e da SIC Internacional África em Angola com razões exclusivamente comerciais, rejeitando que a retirada dos canais das plataformas de televisão tenha motivações políticas.

Os dois canais do grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, deixaram de ser emitidos em Março na Zap e, na madrugada da última segunda-feira, também a plataforma DStv também deixou de transmitir a SIC Notícias e a SIC Internacional África em Angola.

Isabel dos Santos reagiu através da sua conta no Instagram. Embora sem citar directamente as decisões e os nomes das duas operadoras, a filha do Presidente angolano publicou uma fotografia de Pinto Balsemão onde refere que “a razão é comercial, não política”.

Numa publicação escrita em português, inglês e francês, Isabel dos Santos acusa o dono da Impresa e ex-primeiro-ministro de ser um “milionário” ganancioso. Eis a frase, tal como foi publicada em português: “A incofessável [sic] ganância comercial do milionário Pinto Balsemão, em Angola quer encaixar pela SIC preço 1 milhão €/ano. A Comparar com BBC 33 mil €/ano ou Aljazeah [sic] 66 mil €/ano”. É no comentário em francês, onde já não repete as considerações sobre Pinto Balsemão, que a empresária afirma que “a SIC é muito cara!” e que ”a razão é comercial, não política”.

Com o fim da transmissão do canal de informação da SIC e da SIC Internacional África, fonte oficial da televisão de Carnaxide afirmou-se “totalmente alheia à decisão” do corte da emissão. Ao final da tarde desta quinta-feira, a estação enviou um comunicado às redacções em que dizia: “A SIC preocupa-se essencialmente com a liberdade de informação e com a prestação de serviços de qualidade aos seus clientes. Não vai, por isso mesmo, deixar-se enredar em 'tertúlias' nas redes sociais”.

Os restantes canais do universo SIC (SIC Mulher, SIC Radical, SIC Caras e SIC K) continuam a ser normalmente emitidos em Angola pelos dois operadores. Quando a Zap suspendeu as transmissões em Março dos dois canais em causa, também o fez em Moçambique. Já no caso da DStv (da empresa Multichoice África), a exclusão apenas afecta Angola (a SIC Notícias e a SIC Internacional continuam a ser transmitidas em Moçambique e a SIC Internacional África mantém-se em antena na África do Sul).

Reportagens da SIC

Isabel dos Santos controla a maioria do capital da Zap, onde a Nos detém uma posição de 30%. No rescaldo da decisão desta operadora em Março, o semanário angolano Novo Jornal relacionou o corte da emissão com o facto de a SIC ter transmitido reportagens críticas sobre a situação de Angola, onde este ano se elege um novo Presidente, nas eleições de 23 de Agosto.

A SIC transmitiu em Fevereiro a grande reportagem Assalto ao Castelo, que revelava no seu terceiro episódio que “angolanos politicamente expostos” ao poder de José Eduardo dos Santos investiram no GES através do Dubai.

Em Novembro do ano passado, a grande reportagem Angola, um país rico com 20 milhões de pobres mostrava as contradições sociais no país, que se manteve “líder nos índices de mortalidade infantil” e “onde as manifestações são reprimidas e os activistas presos”.