O “dificílimo” compromisso de 2,7 % do PIB em ciência

Manuel Heitor, ministro da Ciência
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Manuel Heitor, ministro da Ciência Fernando Veludo/NFactos

Foi o primeiro-ministro António Costa que traçou a ambiciosa meta de passar dos actuais 1,2% do produto interno bruto (PIB) investido pelo país em ciência em para (pelo menos) 2,7% em 2020. “É uma visão”, comenta cautelosamente ao PÚBLICO Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, justificando que “Portugal não pode ter outra meta a não ser a meta europeia que todos os países se comprometeram a cumprir há uns anos”. Ou seja, há um compromisso assumido. Cumpri-lo é outra história.

O plano é reforçar o investimento em investigação e desenvolvimento (I&D) em percentagem do PIB, alcançando entre 2,7 e 3,3%, o que nos colocará ao nível da média europeia, disse António Costa na conferência “Sobre o futuro da ciência em Portugal, 30 anos após as jornadas de Maio de 1987”, na semana passada em Lisboa. “Houve um compromisso de Portugal, juntamente com os outros países europeus, de atingir este valor. Não podemos estar a alterar o nosso compromisso e a nossa visão, temos de trabalhar nesse sentido”, refere Manuel Heitor questionado pelo PÚBLICO sobre as reais possibilidades de cumprir esta meta. Sem admitir que esta será uma missão impossível, o ministro da Ciência responde com um insistente aviso para a dificuldade da tarefa: “Se é fácil? Não, é dificílimo. Não só para Portugal mas para a Europa. Agora, temos de assumir os compromissos. Não há outra hipótese. É fácil? Não. É muito complexo.”

Se olharmos para o passado, o reforço prometido de pelo menos 1,5% até 2020 parece mais do que difícil. Em 1987, quando Portugal investia apenas 0,34% do PIB em ciência, o então primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva também prometeu chegar aos 1% em apenas três anos. Porém, foi preciso esperar 20 anos para atingir essa meta. A partir de 2007, o investimento cresceu mais rapidamente, atingido o máximo de 1,64% do PIB em 2009, para depois começar uma trajectória descendente, caindo para os 1,28% em 2014, segundo dados divulgados em 2016. Agora, é só mais que duplicar esta fatia em três anos.