Theresa May promete controlar imigração e taxar emprego de estrangeiros de fora da UE

Primeira-ministra britânica apresenta programa do Partido Conservador para as eleições de 8 de Junho. Prometeu habitação social e uma boa negociação do "Brexit".

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A primeira-ministra britânica comprometeu-se nesta quinta-feira com a redução do número de imigrantes no Reino Unido, durante a apresentação do seu programa (e o do Partido Conservador) para as eleições de 8 de Junho.

Theresa May, que perante as negociações do "Brexit" pretende fortalecer a maioria absoluta que já tem no Parlamento, quer manter a imigração líquida – o saldo entre os que entram e os que saem anualmente – nos 100 mil e aplicar um imposto de duas mil libras anuais por cada empregado estrangeiros de fora da UE que seja contratado pelas empresas.

"A imigração descontrolada tem um impacte negativo nas pessoas, sobretudo nos que que têm rendimentos mais baixos, ao fazer baixar os salários e retirar-lhes postos de trabalho", disse May, que apresentou o programa em Yorkshire.

Theresa May disse que o seu programa é para um Reino Unido “mais forte, justo e próspero”. O Reino Unido, disse, tem neste momento a oportunidade de definir que tipo de país será, podendo emergir melhor do que nunca do processo de saída da União Europeia.

Apelando ao reforço do seu mandato, a primeira-ministra advertiu que haverá “consequências para o Reino Unido e para a estabilidade económica dos trabalhadores” se o país falhar na negociação de um bom acordo. “Não se deixem enganar, o desafio central é a negociação do melhor acordo para o Reino Unido e para a Europa”, sublinhou, citada pela Reuters.

May comprometeu-se com a atribuição de verbas aos governos locais para a construção de casas, sublinhando que pela primeira vez em décadas há um apoio do Governo à habitação social. A escassa oferta de casas aumentou substancialmente o preço das rendas nos últimos anos, empurrando o tema para a agenda política. May prometeu construir 1,5 milhões de casas até ao final de 2022, podendo estas ser vendidas após um período de arrendamento de dez a 15 anos.

Entre as promessas está também o compromisso de conter os excessos das grandes empresas e tornar mais difícil para as empresas estrangeiras assumirem a liderança de empresas britânicas. May especificou ainda que a compra de empresas nos sectores da telecomunicação, defesa e energia não prejudicam a segurança ou os serviços essenciais.

A primeira-ministra recusou o uso do termo “mayismo” para a sua política, disse que se trata sim de "forte conservadorismo". “Porque o conservadorismo não é, nem nunca foi, a filosofia descrita pelos caricaturistas”, sublinhou.

Paul Nuttal, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), reagiu ao programa dos Conservadores dizendo que os Tories se tornaram “praticamente idênticos ao Partido Trabalhista" de Jeremy Corbyn.