Vikings: os guerreiros do mar invadem Lisboa

Já há muito que os vikings não causam o terror na Europa. Mas a sua memória continua a perdurar, desta vez na exposição Vikings – Guerreiros do Mar no Museu de Marinha, em Lisboa.

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Aventura. Esta é logo a primeira palavra que nos ocorre quando se fala de vikings. Esses guerreiros do Norte há mais de mil anos ocuparam países que hoje são a Suécia, a Dinamarca e a Noruega. E chegaram ao que actualmente é Portugal. Agora estão também no Museu de Marinha, em Lisboa, para mostrarem na exposição Vikings – Guerreiros do Mar quem realmente eram.

“Há mais de mil anos, povos vindos do Norte chegaram às margens de uma Europa que não estava preparada para os receber”, assim se lê no site do Museu de Marinha. Mas parece que já está. Pelo menos é o que se conclui com a chegada desta exposição ao Museu de Marinha. Antes de passar por Lisboa, já tinha estado no Museu Arqueológico de Alicante, em Espanha, até ao início de Março. Veio agora para Lisboa a cargo da empresa Museums Partner e da comissária científica Anne-Christine Larsen, do Museu Nacional da Dinamarca.

A exposição está dividida em duas salas, refere o primeiro-tenente Bruno Gonçalves Neves, comissário executivo da exposição. Logo na primeira sala, há uma introdução à temática dos vikings e uma referência à sua passagem por Portugal. Na sala seguinte, a exposição está dividida em quatro temas: os navios vikings e as suas técnicas de construção naval; os vikings como guerreiros e a organização militar destes povos nórdicos; os ritos, as crenças e as religiões nórdicas, assim como os sistemas de divindade e a passagem para o cristianismo; e por fim, a sociedade viking do ponto de vista da sua organização social e política e das rotas comerciais.

Ao longo desta sala estão expostas cerca de 600 peças originais vindas do Museu Nacional da Dinamarca. “Vão de armas usadas pelos guerreiros a peças encontradas em contexto arqueológico e do dia-a-dia”, diz o comissário executivo da exposição. Destaca ainda peças como o arreio de cavalos com motivos decorativos em ouro, pregadeiras, anéis, colares, espadas de vikings “extremamente raras” com mais de mil anos. “Todas as peças se situam entre o ano 750 e o ano 1000”, informa.

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As espadas são alguns dos objectos que se podem ver na exposição DR

Ao longo da exposição também será possível ver uma réplica de uma embarcação viking. Foi construída com base em vestígios arqueológicos encontrados no município dinamarquês de Roskilde, para o Pavilhão da Dinamarca na Expo 98. “Agora regressa a Portugal para integrar esta exposição”, salienta Bruno Gonçalves Neves.

E que ligação têm os vikings com Portugal? “Temos registos das passagens dos povos nórdicos no Norte [de Portugal] ou mais a sul, como Lisboa ou Alcácer do Sal”, conta o primeiro-tenente Neves. De acordo com a Crónica Silense, do século XII e autor anónimo sobre a vida de Afonso VI de Castela e Leão, a primeira vez que invadiram Portugal foi em 844, onde estiveram cerca de 13 dias na cidade de Lisboa. “Fizeram saques, pilhagens e reféns.” Outra data destacada pelo comissário executivo da exposição é entre Julho de 1015 e Abril de 1016, onde este povo nórdico esteve nas margens dos rios Douro e do Ave durante cerca de nove meses a fazer saques e pilhagens. Os detalhes desta incursão estão em documentação do Mosteiro de São Salvador de Moreira. “O início da nossa nação esteve muito marcado pela presença destes povos”, salienta. Quanto a registos dos vikings em território português, apenas há documentos. Até ao momento, não foram encontrados registos arqueológicos.

Ainda não há data de encerramento da exposição, que pode ser visitada todos os dias das 10h às 18h. Os preços vão dos 8,60 euros aos 11,20 euros (e são grátis para crianças com menos de três anos). Entretanto, serão também anunciadas datas para um ciclo de conferências sobre estes temíveis guerreiros do Norte da Europa.