Ligação do Rato ao Cais do Sodré dá linha circular a metro de Lisboa

Empresa diz que estações na Estrela e Santos terão mais procura do que Ourique e Amoreiras, mesmo tendo em conta que investimento é superior. As primeiras serão inauguradas em 2021/2022, as outras não se sabe. Arroios fecha para obras em Julho e haverá ligação pedonal entre o Rato e a D. João V.

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Presidente da Câmara de Lisboa quer que expansão continue através de ligações com o aeroporto e Campo Grande Enric Vives-Rubio

A previsão de maior procura por parte dos passageiros foi um dos factores fundamentais para escolher a ligação do Rato ao Cais do Sodré como o próximo grande passo da expansão da rede do Metro de Lisboa, em detrimento de Campo de Ourique e Amoreiras.

Em 2021, ou no início de 2022, o Governo e a empresa pública de transportes esperam ter inauguradas as estações da Estrela e de Santos, completando um circuito e um ciclo (o Cais do Sodré foi inaugurado em 1998, após vários anos de construção). Embora não dê detalhes, a Metro de Lisboa fala numa “utilidade superior” da opção agora oficializada, com “maior número de passageiros” nas novas estações, “maior número de acréscimo de passageiros na rede” e “melhores resultados na análise económico-financeira”, que, refere-se, “garantem a viabilidade económica do projecto”. O PÚBLICO pediu mais dados sobre estas questões à empresa e à tutela, mas não recebeu respostas até ao momento.

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O plano apresentado esta segunda-feira pelo presidente da Metro de Lisboa, Vitor Domingues dos Santos, prevê que a estação da Estrela fique localizada na calçada com o mesmo nome, junto ao antigo Hospital Militar e em frente à Basílica da Estrela. A de Santos ficará junto ao edifício do Batalhão dos Sapadores de Lisboa, e na última fase da ligação ao Cais do Sodré, diz a empresa, “recorrer-se-á a construção a céu aberto” (isto, presume-se, até à fase de nova escavação para ligar à rede que agora se inicia no Cais do Sodré, no subsolo). 

Os concursos daquelas empreitadas serão lançados no segundo semestre  de 2018 e as obras deverão iniciar-se em 2019, prevendo-se a entrada em funcionamento em 2021 ou no início de 2022. O custo está estimado em 216 milhões de euros e o financiamento, em estudo, prevê o recurso a fundos comunitários e a empréstimos do Banco para o Investimento (BEI). De acordo com o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, que esteve presente na cerimónia, a candidatura do projecto está ligada à do Metro do Porto, cuja rede também está em expansão.

Linha Amarela mais pequena

Quando a ligação do Rato ao Cais do Sodré estiver concluída, a linha muda de cor, e introduz-se um novo conceito de mobilidade na capital.

De acordo com o novo mapa apresentado pela empresa, a Linha Amarela passará a ter início em Telheiras e a finalizar em Odivelas. Já a Linha Verde passará a ser circular, abrangendo estações como Cais do Sodré, Arroios, Picoas e Rato, além das duas novas estações anunciadas. Haverá ainda uma alteração na zona do Campo Grande, com a edificação de dois viadutos e ligação da Linha Amarela a Telheiras. 

O presidente da Metro fala de uma “nova oferta na zona central de Lisboa”. “Com ligação directa do Cais do Sodré ao Campo Grande”, haverá a circulação de “seis carruagens, permitindo intervalos nas horas de ponta de três minutos e 40 segundos” afirmou Vitor Domingues dos Santos. Segundo este responsável, prevê-se que este investimento traga “um incremento de oito milhões no número de passageiros”.

Acesso pedonal às Amoreiras

O plano de desenvolvimento operacional da rede do Metro de Lisboa não deixa de prever o prolongamento da Linha Vermelha de São Sebastião até Campo de Ourique, com a criação de mais duas estações, Amoreiras e Campo de Ourique, mas só quando houver dinheiro para tal. E isso significa que não acontecerá antes de 2020, quando se inicia o próximo quadro comunitário. O custo estimado da obra é de 186,5 milhões de euros, inferior ao do alargamento até ao Cais do Sodré.

Para já, e a pensar nessas novas estações, a Metro de Lisboa diz que vai avançar com uma ligação pedonal subterrânea da estação do Rato à Rua de D. João V, permitindo o acesso também às áreas de Campo de Ourique e das Amoreiras. O custo da ligação a esta zona, “densamente povoada”, está estimado em 15,6 milhões de euros e, de acordo com o ministro do Ambiente, a ideia é estar operacional na quadra natalícia do ano que vem ou no início de 2019. Optando-se por tapetes rolantes, a ligação terá quase 300 metros, e “uma abertura superior para a entrada de luz natural”, bem como uma escada de emergência a meio do troço.

Arroios fecha 18 meses

A rede do metro de Lisboa será também alvo de várias intervenções, como a ampliação do cais de Arroios.

Esta estação irá estar fechada durante 18 meses, com início a 19 de Julho, de modo a que se façam obras para permitir a circulação de composições de seis carruagens. O investimento previsto é de sete milhões. Depois, há ainda a remodelação do átrio norte do Areeiro (3,8 milhões), melhoria das acessibilidades na estação do Colégio Militar-Luz (2,7 milhões), “intervenções na superstrutura” dos Olivais (2,2 milhões) e a “modernização” das escadas rolantes da Baixa-Chiado (500 mil euros).

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Tudo o que vai mudar no metro de Lisboa

  • Vai haver duas novas estações, ligando o Rato ao Cais do Sodré: a da Estrela e a de Santos. Espera-se que as obras terminem em 2021/2022.
  • Quando as duas novas estações abrirem, a Linha Verde torna-se maior, e circular, num novo conceito do metro da capital. Já a Linha Amarela passa a ter início em Telheiras, terminando em Odivelas. As alterações irão obrigar a novos viadutos no Campo Grande.
  • Para uma outra fase ficou a expansão da Linha Vermelha, alargando-a para Campo de Ourique e Amoreiras, mas nunca terá início antes de 2020.
  • No final de 2018 ou início de 2019 deverá estar operacional uma ligação pedonal entre o Rato e a Rua de D. João V, facilitando o acesso a Campo de Ourique e Amoreiras.
  • Em Julho deste ano, e durante 18 meses, Arroios vai encerrar para obras que permitam a circulação de seis carruagens.
  • A partir de agora, há um provedor do cliente, Natércia Magalhães Cabral.