Após três anos escravizados pelo Daesh, dezenas de yazidis estão finalmente em liberdade

Trinta e seis membros da minoria religiosa yazidi foram libertados ou terão escapado após quase três anos nas mãos do Daesh.

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Na imagem, datada de 2016, refugiados yazidi regressam ao Iraque, provenientes da Síria. Youssef Boudlal / Reuters / Arquivo

Trinta e seis membros da minoria religiosa Yazidi estão livres após quase três anos nas mãos do Daesh, anunciou a Organização das Nações Unidas (ONU), citada pela BBC.

Perseguido há séculos por radicais - e nos últimos anos com renovada eficácia pelo grupo terrorista Daesh - este povo está reduzido a menos de 800 mil pessoas, algumas das quais procuraram refúgio internacional, nomeadamente em Portugal. Os 36 membros agora libertados foram levados para os centros da ONU em Dohuk, no norte do Iraque curdo. Segundo a BBC, não é ainda claro se escaparam das mãos do Daesh ou se foram libertados, já que a ONU se recusou a fornecer mais informações para não comprometer futuras libertações.

O Daesh deteve e escravizou milhares de yazidis, depois de ter tomado de assalto a cidade de Sinjar, em 2014. As forças curdas retomaram o controlo da cidade em 2015, mas muitos yazidis foram deslocados e mantidos em cativeiro pelos radicais islâmicos.

Entre os sobreviventes agora resgatados encontram-se homens, mulheres e crianças. Em Dohuk, onde, além de comida e vestuário receberam ajuda médica e psicológica, estão agora a reunir-se com os familiares com quem haviam perdido contacto.

A ONU estima que 1500 mulheres e raparigas continuem reféns do Daesh e muito provavelmente sendo vítimas de abusos sexuais prolongados.

O Daesh tem estado sob forte pressão no Iraque, onde tem vindo a perder grande parte do território tomado em 2014. As forças iraquianas recuperaram a maior parte da cidade de Mossul, mas ainda lutam para expulsar os radicais do centro histórico da cidade.

Entre as muitas vítimas do avanço do Daesh, está um grupo de até 50.000 yazidis que estão presos nas montanhas no noroeste do Iraque, sem comida ou água. Por causa das suas crenças incomuns, os yazidis são muitas vezes injustamente referidos como "adoradores do diabo" e mantiveram-se tradicionalmente separados em pequenas comunidades, espalhadas pelo noroeste do Iraque e da Síria e pelo sudeste da Turquia.