CEO da United Airlines não será promovido após escândalo do overbooking

Oscar Muñoz deveria assumir a função de presidente não-executivo em 2019, mas deixou cair a cláusula após a explusão violenta de um passageiro.

Oscar Muñoz, CEO da United Airlines
Foto
Oscar Muñoz, CEO da United Airlines Reuters/Lucas Jackson

O presidente executivo da companhia norte-americana United Airlines já não vai ser o chairman (presidente não-executivo) da empresa em 2019, conforme estava previsto no contrato do gestor. A empresa informou o regulador da bolsa de Nova Iorque de que Muñoz deixou cair voluntariamente esta cláusula contratual que lhe garantiria um movimento geralmente visto nos meios empresariais como uma promoção.

O gestor é a mais recente vítima do episódio que está na origem da maior crise de relações públicas que aquela transportadora terá vivido nos últimos anos. A ambição de Muñoz não sobreviveu ao chamado escândalo do overbooking, que surgiu quando a equipa de bordo de um dos aviões da UA expulsou de forma violenta um passageiro que se recusava a sair para dar lugar a outros passageiros – funcionários da UA –, num aparelho que se encontrava lotado.

As imagens dessa expulsão violenta correram mundo através de um vídeo publicado online e, inicialmente, a reacção de Oscar Muñoz parecia culpabilizar o passageiro expulso e agredido pelo sucedido. 

Como o PÚBLICO contou, nos primeiros dias de Abril, perante a sobrelotação do voo 3411, que ligava Chicago e Louisville, a tripulação começou por pedir que quatro passageiros abandonassem o avião "voluntariamente". Perante a recusa dos passageiros, foi então realizado um sorteio que ditou a saída de quatro pessoas. Um desses passageiros, um médico que tinha de dar consultas no seu destino no dia seguinte, acabou por ser arrastado do seu lugar com o auxílio da segurança do aeroporto. Durante o incidente, o homem acabou por ficar ferido. O momento foi registado e divulgado no Twitter e no Facebook por outros passageiros. Em pelo menos um dos vídeos é visível sangue no rosto do médico.

Segundo o jornal The New York Times, na sequência do caso, Muñoz aceitou afastar-se quando terminar o seu mandato como CEO e a própria empresa anunciou mudanças nos esquemas de incentivos salariais dos gestores de topo da United Continental Holdings, que detém a transportadora. Segundo a mesma fonte, as alterações irão no sentido de "ligar de forma directa e significativa o sistema de incentivos dos gestores à melhoria e ao progresso da experiência e satisfação dos clientes".