Symington saem do Douro e compram Altas Quintas no Alentejo

Grupo passa pela primeira vez a explorar vinhas fora da sua região de origem. O projecto Altas Quintas vai ser completamente reformulado

A quinta da Queijeirinha estende-se a uma altitude entre os 490 e os 550 metros
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A quinta da Queijeirinha estende-se a uma altitude entre os 490 e os 550 metros DR

O grupo empresarial da família Symington concluiu esta segunda-feira a operação de aquisição da Quinta da Queijeirinha, uma propriedade com 207 hectares, dos quais 43 são de vinha, na zona da serra de São Mamede, Portalegre. Depois de, em 1989, ter adquirido uma participação maioritária na Madeira Wine Company, a aquisição da empresa que produz os vinhos da marca Altas Quintas é um passo em frente na estratégia de diversificação do grupo familiar que no ano passado gerou um volume de negócios na ordem dos 90 milhões de euros. O valor do investimento não foi revelado por acordo do comprador e o vendedor, a família de João Lourenço.

A quinta da Queijeirinha estende-se a uma altitude entre os 490 e os 550 metros, numa zona mais temperada do Norte alentejano onde há disponibilidade de água. Nas suas vinhas estão plantadas castas tradicionais, com predominância para as tintas, em vinhas com uma idade situada entre os 15 e os 20 anos. Num ano normal, a empresa é capaz de produzir 140 mil garrafas. A exploração dos recursos da propriedade pela mão dos Symington vai iniciar-se já nesta vindima e implica uma reformulação total do projecto. “Queremos fazer tudo de novo”, diz António Filipe, director-geral da Symington Family Estates. “Vamos encontrar uma equipa nova” para a viticultura e para a enologia “e vamos mudar a marca”, nota este responsável.

Esta opção implica que a Queijeirinha permaneça como uma empresa autónoma, fora do chapéu onde se encontram hoje as marcas consagradas da família no sector do vinho do Porto, como a Dow’s, a Warre ou a Graham’s, ou nos vinhos no Douro, onde os Symington estão presentes com os Altano, os Quinta do Vesúvio ou, mais recentemente, com os Quinta do Ataíde. Mas, “em última análise”, o controlo técnico e a gestão comercial contarão com a participação das equipas que trabalham nas vinhas do Douro.

Depois de se consolidar como líder no comércio das categorias especiais do vinho do Porto e de acumular uma área de vinha no Douro na ordem dos mil hectares, os Symington olham para o investimento no Alentejo como uma oportunidade de crescer por via da diversificação. “Depois de 135 anos no Douro, a família entendeu que era o momento indicado para produzir vinho noutra grande região vinícola de Portugal”, diz Rupert Symington. A serra de São Mamede é uma zona de baixas produtividades que produz vinhos conceituados pela sua frescura e complexidade.

Para lá da área agrícola, a Queijeirinha dispõe de um edifício de meados do século XIX classificado como monumento de interesse municipal e uma série de construções que podem ser mais tarde utilizadas numa operação turística. “Vamos considerar essa possibilidade depois de consolidarmos a nossa aposta na produção de vinho”, diz António Filipe. Os Symington fizeram uma aposta forte nos últimos anos no turismo, quer nas suas caves de Vila Nova de Gaia, quer na sua Quinta do Bonfim, no Pinhão.