Interferência russa: Flynn “tem uma história para contar” mas quer imunidade

Advogado do ex-conselheiro de Trump diz que Flynn quer colaborar, mas primeiro exige garantias de imunidade.

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Michael Flynn foi demitido por causa dos seus contactos com o embaixador russo em Washington Reuters/© Carlos Barria / Reuters

O ex-conselheiro para a Segurança Nacional dos EUA Michael Flynn, caído em desgraça depois de terem sido revelados os contactos que manteve com o embaixador russo antes de a nova Administração entrar em funções, diz estar disponível para colaborar com a investigação sobre os potenciais laços entre responsáveis norte-americanos e russos.

Mas para depor perante os congressistas, o general quer imunidade contra aquilo que o seu advogado qualifica de “acusações injustas”. É incerto que tipo de acolhimento terá esta exigência da parte do Congresso norte-americano.

“O general Flynn tem certamente uma história para contar, e ele quer muito contá-la, desde que as circunstâncias o permitam”, disse o advogado Robert Kelner, que denuncia o “ambiente altamente politizado” e uma “caça às bruxas”.

O FBI está a conduzir uma investigação sobre os contactos estabelecidos entre responsáveis da campanha de Donald Trump e dirigentes russos. Também as comissões do Senado e da Câmara dos Representantes estão a investigar as suspeitas de interferência do Kremlin nas eleições presidenciais, em benefício do candidato republicano.

Outros colaboradores do Trump, como o ex-director de campanha Paul Manafort e os antigos conselheiros Roger Stone e Carter Page, também se ofereceram para testemunhar sem fazer qualquer exigência de imunidade, diz a BBC.

A Câmara dos Representantes nega, no entanto, que tenha recebido qualquer proposta da parte de Flynn no sentido de uma colaboração nas investigações. “Não, Michael Flynn não se ofereceu para testemunhar junto da comissão em troca de imunidade”, disse o porta-voz Jack Langer, citado pelo Politico.

Flynn foi demitido em Fevereiro por ter mantido contactos com o embaixador russo, Serguei Kisliak, durante o período de transição para a nova Administração – e terá até abordado as sanções que acabavam de ser aplicadas pelo Presidente Barack Obama, no final de Dezembro. O general não comunicou à Casa Branca que estabeleceu esses contactos, algo que terá induzido o vice-Presidente, Mike Pence, a negar publicamente a sua existência.

Na quinta-feira, a comissão do Senado deu início às sessões com fortes acusações de que a Rússia tentou interferir directamente no desfecho das eleições presidenciais. "Esta propaganda russa '[alimentada] a esteróides' tinha como objectivo envenenar a discussão nacional na América", afirmou o senador democrata Mark Warner.

Moscovo recorreu à difusão de desinformação, incluindo notícias falsas, direccionada para eleitores em estados considerados decisivos para a vitória no Colégio Eleitoral, como o Wisconsin, Michigan e Pensilvânia.

A Casa Branca negou desde o início que a Rússia tenha interferido nas eleições, acusando o Partido Democrata de não aceitar a vitória de Donald Trump em Novembro.