Torne-se perito

Menos produção e azeite mais caro desagrada a produtores transmontanos

O azeite é a segunda produção agrícola com maior peso na economia transmontana, a seguir ao vinho, e movimenta anualmente um valor bruto de 30 milhões de euros.

O INE divulgou dados que apontam para uma quebra da produção de azeitona para azeite na ordem dos 30% em 2016
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O INE divulgou dados que apontam para uma quebra da produção de azeitona para azeite na ordem dos 30% em 2016 pp paulo pimenta

A região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a segunda maior produtora nacional de azeite, regista este ano quebras na ordem dos 20% que implicam um aumento de preços encarado como negativo pelo representante do sector.

Em entrevista à Lusa, o presidente da Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro (AOTAD), António Branco, afirmou que "infelizmente a diminuição da produção associada ao aumento do preço do azeite é um efeito negativo, porque sofre sempre o produtor".

O dirigente argumentou que o aumento dos preços não compensa o trabalho na produção, que é sempre o mesmo independentemente do resultado, e classificou este ano como "muito confuso" na região com a venda de muita azeitona para fora, nomeadamente Espanha, o que considerou "péssimo" para o azeite regional certificado. O azeite é a segunda produção agrícola com maior peso na economia transmontana, a seguir ao vinho, e movimenta anualmente um valor bruto de 30 milhões de euros.

A região transmontana e duriense é a segunda maior produtora de Portugal, com uma produção média anual entre 80 a 90 mil toneladas de azeite transformado em mais de uma centena de lagares. A região lidera com o maior número de azeites certificados em Portugal, concretamente 40, com Denominação de Origem Protegida - DOP Trás-os-Montes, atribuída pela União Europeia.

Além dos azeites distinguidos com a certificação de qualidade DOP e biológicos, este produto chega também ao mercado com outras apresentações através de cerca de uma centena de embaladores que existem nesta região.

A redução na ordem dos 20% na produção não foi tão grande como esperava o presidente da AOTAD, ainda assim António Branco defende que o ideal para o sector seria que o azeite não dependesse das oscilações de mercado, mas que "tivesse um preço estabilizado". O dirigente vincou que este "foi um ano muito confuso no mercado", nomeadamente com a compra de azeitona para fora da região. "É azeite bom que vai ser feito com a nossa azeitona fora da região", apontou, acrescentando que a consequência será "menos azeite" com a marca regional, o que considerou "péssimo".

O presidente da AOTAD defendeu que "todo o azeite deve sair embalado da região, nunca incógnito" e afirmou que a associação está a trabalhar para isso". Porém, ainda não consegue evitar que muitas vezes a venda para o exterior não seja sequer registada.

Ainda assim, o dirigente considerou que estão a ser dados passos importantes no sentido de reforçar o valor da produção regional e anunciou que foi dado início ao processo de criar mais um azeite na região com Denominação de Origem Protegida, o DOP Douro. "É muito positivo, porque apanha áreas que estão fora da DOP Trás-os-Montes" realçou.

O INE divulgou, em 17 de Fevereiro, dados que apontam para uma quebra da produção de azeitona para azeite de 30%, em 2016, para menos de 500 mil toneladas.

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