César: actuação do Banco de Portugal no BES “foi uma falha muito significativa”

O líder parlamentar do PS diz que está a ser feita uma “reflexão profunda” sobre o tema, mas não aprofunda o quê.

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Nuno Ferreira Santos

O PS e o governador do Banco de Portugal não são uma combinação perfeita. Carlos César diz que o partido mantém a “avaliação” que fez ao trabalho de Carlos Costa à frente do regulador bancário, mas que daí não serão retiradas consequências para já nas nomeações para a administração do BdP. Contudo, diz, está a ser feita uma reflexão sobre o assunto. De quem? Não disse.

“Houve falhas muito significativas na supervisão financeira – não só no BES. Quem está à frente dessa supervisão é o governador do Banco de Portugal. A avaliação que fizemos da actuação do BdP é uma avaliação que não retiramos”, disse esta manhã o líder parlamentar do PS aos jornalistas, sobre a reportagem da SIC Assalto ao Castelo.

A reportagem conta como o BdP sabia dos problemas no BES e mesmo assim concedeu o estatuto de idoneidade a Ricardo Salgado. Em Fevereiro de 2013, o PÚBLICO já tinha avançado que o facto de Salgado ter feito sucessivas regularizações ao IRS representava, para alguns quadros do BdP, uma possível confissão "de que sistematicamente omitiu deliberadamente os juros e as mais-valias apuradas no exterior à espera das amnistias fiscais".

Numa reportagem da revista 2 em Outubro de 2014, o PÚBLICO também já tinha dado conta de como o Banco de Portugal foi "hesitante em atacar eficazmente os problemas que iam surgindo" no BES.

Questionado agora sobre a reportagem da SIC, César desta vez foi mais contido nas críticas a Carlos Costa, relembrando por várias vezes a posição do partido na altura da queda do BES.

Contudo, neste momento o Governo prepara-se para nomear novos administradores para o BdP e, tal como o PÚBLICO escreveu esta semana, já foram recusados nomes propostos pelo governador, mostrando que há uma tensão entre Governo e Banco de Portugal na escolha da nova administração do BdP. Questionado sobre esta tensão, César afasta uma ligação entre a leitura que o partido faz da actuação no dossier do BES e as nomeações que estão agora a ser decididas.

“A acção do Banco de Portugal na queda do Banco Espírito Santo constituiu uma falha, mas essa falha não terá qualquer relação com a nomeação de novos administradores para o regulador”, disse.