Governo francês suspeita que Rússia quer ajudar a eleger Le Pen

O ministério da Defesa de França estará preocupado com a intervenção de piratas informáticos russos nas eleições presidenciais de Abril, avança jornal que divide as suas páginas entre a sátira e a investigação.

Secretas francesas temem que as redes sociais sejam inundadas de mensagens de apoio à candidata da extrema-direita
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Secretas francesas temem que as redes sociais sejam inundadas de mensagens de apoio à candidata da extrema-direita LUSA/ARNOLD JEROCKI

A história saiu das páginas do Canard Enchaîné e encontrou eco em alguns órgãos sociais franceses, como o site Atlantico ou a rádio RTL. Segundo a edição de quarta-feira do semanário satírico francês (que também faz jornalismo de investigação), os serviços secretos franceses estão preocupados que a Rússia vá interferir nas eleições presidenciais de modo a assegurar a eleição da candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen.

A Direcção-geral da Segurança Externa (DGSE), um organismo do Ministério da Defesa francês, já está a prevenir-se contra um ciberataque. “O nível de alerta é de tal maneira elevado que está programado um Conselho de Defesa no Eliseu [palácio presidencial] sobre o tema”, noticia a cadeia de rádio RTL, citando o Canard Enchaîné, que apenas tem versão em papel.

No final de Outubro, os líderes dos partidos políticos foram “chamados à Secretaria-geral da Defesa e da Segurança Nacional” para participar num seminário “de sensibilização sobre segurança informática”, refere ainda a RTL, com base nas informações publicadas no Canard Enchaîné. Segundo este jornal, todos os partidos participaram na reunião, excepto a Frente Nacional, “que foi convidada, mas declinou o convite”.

Os planos de Moscovo (que os serviços secretos norte-americanos suspeitam que interferiu nas eleições presidenciais dos Estados Unidos) passam por apoiar a candidatura de Le Pen “nas redes sociais com robôs que vão gerar milhares de mensagens positivas” sobre a candidata da extrema-direita francesa. Outra possibilidade é a de “revelarem dados e emails confidenciais dos seus adversários”.

Contactado pela RTL, o vice-presidente da Frente Nacional, Florian Philippot, disse confiar “no Estado para garantir a segurança das eleições presidenciais”. Além disso, afirmou que “há no ar um odor de conspiração”. 

Entretanto, os dados publicados na quarta-feira pela empresa francesa Opinionway mostram a candidata da Frente Nacional a descer ligeiramente nas sondagens e a perfilar-se como derrotada na segunda volta. Os dados atribuem a Le Pen 25% dos votos na primeira volta marcada para 23 de Abril, com o independente Emmanuel Macron a ficar-se pelos 22% e o conservador Fraçois Fillon a chegar aos 20%. 

Porém, na segunda volta, Macron derrotaria Le Pen, com 66% dos votos contra os 34% da líder da Frente Nacional. Se, em vez do Macron fosse Fillon a passar à segunda volta, Le Pen também sairia derrotada, reunindo neste caso 38% dos votos.

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