Jardim na Praça de Espanha vai ser “mais do dobro do Jardim da Estrela”

PSD acusa a câmara de enganar os lisboetas, PCP e CDS lamentam que o terreno do antigo mercado seja exclusivamente dedicado a escritórios. Manuel Salgado garante que esta vai ser “uma zona central de Lisboa”

O terreno que vai agora para hasta pública foi ocupado durante décadas por um mercado
Foto
O terreno que vai agora para hasta pública foi ocupado durante décadas por um mercado Daniel Rocha

A oposição uniu-se no voto contra, mas o terreno do antigo mercado da Praça de Espanha vai mesmo ser vendido em hasta pública. A decisão foi tomada esta terça-feira à tarde na primeira reunião da Assembleia Municipal de Lisboa deste ano, mas a proposta foi criticada da esquerda à direita, sobretudo pelo facto de a autarquia só permitir a construção de um edifício de escritórios naquele local.

“Quem passe por aquela zona da cidade a partir das sete, oito horas”, argumentou Modesto Navarro, do PCP, vê “um completo vazio”. O deputado municipal lamentou que a câmara não aproveite este terreno para fazer “habitação a preços controlados para jovens” e acusou a equipa de Fernando Medina de querer tornar a Praça de Espanha “num maior deserto”.

Crítica semelhante foi feita por Diogo Moura, deputado do CDS, que afirmou que “basta passear” por aquela área “para ver inúmeros espaços comerciais” em arrendamento, “muitos deles vazios”.

Para o vereador do Urbanismo da câmara, o que está em causa são diferentes “conceitos de cidade”. “É perfeitamente legítimo que cada um de nós tenha o seu conceito de cidade”, disse Manuel Salgado, que defendeu a criação de edifícios de escritórios naquele local por se tratar de uma das “zonas mais bem servidas de transportes” de Lisboa. “A Praça de Espanha”, acrescentou, “tem condições absolutamente excepcionais para concentrar escritórios.”

Mas os deputados do PSD acusaram a câmara de enganar os lisboetas e os comerciantes que saíram da Praça de Espanha em Setembro de 2015. “Durante anos a narrativa foi bastante diferente”, afirmou Sofia Vala Rocha, que trouxe vários recortes de jornais para lembrar que a autarquia há muito vem prometendo um jardim na zona. “O facto é que, em vez de um jardim, vem agora propor-se uma torre”, acrescentou depois o deputado social-democrata Magalhães Pereira, que considerou esta hasta pública “nefasta e prejudicial” para a cidade.

Por “Os Verdes”, Sobreda Antunes manifestou preocupação relativamente à construção no subsolo da praça, uma “área reconhecidamente sensível a inundações”. O deputado ecologista, à semelhança do que já fizera o colega do PCP, criticou a câmara por ter desenhado uma Unidade de Execução para a Praça de Espanha e não um Plano de Pormenor, o que obrigaria a discussão na assembleia municipal.

“A Unidade de Execução tem tanta validade como outro instrumento qualquer”, rebateu Manuel Salgado. O vereador garantiu que “a Praça de Espanha não será um deserto, mas sim uma zona central de Lisboa” e disse que sempre manteve a intenção de “fazer um grande jardim”, apesar do que alega o PSD. Aliás, acrescentou, o espaço verde será “mais do dobro do Jardim da Estrela”, aproveitando os locais onde actualmente há vias de trânsito e estendendo-se até à Avenida José Malhoa.

O terreno que vai agora para hasta pública foi ocupado durante décadas por um mercado. Tem mais de três mil metros quadrados e fica paredes meias com o Instituto Português de Oncologia, que terá um novo edifício em 2019 ao abrigo de um protocolo assinado na segunda-feira com a autarquia. O preço base de licitação do terreno é de 16,450 milhões de euros.