Polícia investiga se Amis Amri estaria drogado no ataque em Berlim

Documentos policiais referem que o autor do massacre num mercado de Natal consumia cocaína e ecstasy.

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Longe de esclarecer as circunstâncias em que Anis Amri, de 24 anos, viajou da Alemanha a Itália, depois de matar 12 pessoas num mercado de Natal no coração de Berlim, a polícia alemã acaba de complicar ainda mais a leitura da sua própria actuação, tendo em conta que documentos internos referenciavam aquele cidadão tunisino como um utilizador recorrente de drogas, nomeadamente cocaína e ecstasy.

Segundo documentos policiais divulgados parcialmente neste domingo pelo jornal alemão Die Welt, o tunisino que viveu debaixo do nariz das autoridades alemãs durante dois anos financiaria a sua vida através da venda de droga, que ele próprio consumia. "Os investigadores questionam-se se ele estaria sob influência de droga", no momento do ataque, refere o Die Welt neste domingo, antecipando que a teia de dúvidas em torno do atacante, que lançou um camião contra os clientes do mercado que decorria numa praça da capital alemã. Um ataque que fez lembrar outro, ocorrido cinco meses e seis dias antes, em Nice, no Sul de França, a 14 de Julho, e que matou mais de 80 pessoas, quando um camião de 19 toneladas atropelou pessoas que festejavam na rua o feriado nacional do Dia da Bastilha.

O mesmo jornal, de distribuição nacional mas sediado em Berlim, adianta que os últimos dados constam de um relatório que deverá ser analisado no Parlamento alemão, o Bundestag. Uma das questões levantadas pelo ataque, que além dos 12 mortos feriu também quase 100 pessoas, é precisamente o facto de Anis Amri, que já na Tunísia estaria referenciado por ligações ao mundo da droga, ter visto rejeitado o seu pedido de asilo na Alemanha, mas ter continuado a viver livremente no país, embora debaixo de olho da polícia, que nunca o deteve, apesar de o vigiar durante pelo menos durante seis meses, em 2016.

Abatido pela polícia italiana em Milão, Anis Amri teria sido várias vezes preso na Tunísia por uso de drogas, e depois de 2011, ano da revolução na Tunísia, saiu do país, passando três anos em Itália e chegando à Alemanha em 2014. Viveu na prisão a maior parte do tempo que passou em Itália – terá sido aí onde se radicalizou e se pôs ao serviço do Daesh, que reivindicou os ataques de Berlim (e de Nice) – e segundo o relatório divulgado pelo Die Welt, no último ano, já vivendo na Alemanha, teria feito diversas viagens entre a Bélgica e o estado da Renânia do Norte-Vestefália, beneficiando da liberdade de circulação. Sabe-se, aliás, que antes do ataque as autoridades reuniram-se sete vezes para discutir o perigo que Amri representava.

O que continua por esclarecer é como é que Amri chegou de Berlim a Milão, escapando  à caça ao homem que foi montada depois do ataque, no dia 19 de Dezembro, até ao dia 23, quando foi interceptado por acaso numa operação rotineira, de madrugada, na Piazza I Maggio, no bairro de Sesto San Giovanni. E não há certezas entre os investigadores sobre qual seria afinal o seu destino, sendo certo que a região da Lombardia conta com a maior proporção de muçulmanos residentes de entre as regiões italianas, afirma o mesmo jornal. Por aclarar está ainda a dúvida sobre se Amri teria ou não contado com cúmplices, hipótese que nunca foi descartada e que justifica que as autoridades alemãs ainda tenham 400 investigadores a trabalhar neste caso.

Uma tarefa difícil, diz aquele jornal alemão: no telemóvel de Amri havia apenas dois números memorizados, mas sabia-se que ele tinha bons contactos em toda a Europa, sobretudo em Itália. E na mochila que levava, quando foi morto, a polícia não encontrou vestígios de drogas – apenas espuma de barbear e duche de banho, o bilhete de comboio adquirido em França (por onde Amri passou antes de chegar a Itália), um cartão de telemóvel holandês e 1000 euros em dinheiro.

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