Saída de investidores arrasta acções do BCP para o valor mais baixo de sempre

A reacção dos investidores ao aumento de capital continua negativa, com os títulos a desvalorizar 7,92%.

Condições do aumento de capital desagradam a alguns accionistas.
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Condições do aumento de capital desagradam a alguns accionistas. Miguel Manso

As acções do Banco Comercial Português (BCP) voltaram a registar uma forte desvalorização. Na sessão desta quarta-feira, os títulos encerraram a perder 7,92%, para 0,85 euros, o que representa um novo mínimo histórico.

A desvalorização registada terça, o primeiro dia de negociação após o anúncio do aumento de capital, foi a mais elevada, atingindo 15%.

A forte desvalorização do banco é explicada pelo anúncio do aumento de capital, em 1,3 mil milhões de euros, o que está a levar muitos investidores a venderem as suas acções. O volume de acções negociadas na sessão de hoje foi semelhante ao da anterior, superando 14 milhões.

O aumento de capital, a realizar através da emissão de 14 mil milhões de acções, dilui fortemente as actuais participações dos accionistas, especialmente no caso de investidores que não pretendam acompanhar o aumento de capital. Segundo o Negócios, e face às perdas já acumuladas, o valor teórico das acções do BCP após o aumento de capital cai para cerca de 14 euros.O valor dos direitos, que permitem a particiação no aumento de capital, correspondiam esta quarta-feira, segundo as contas do jornal, a 0,71 cêntinos. Estes direitos, que garantem a subscrição de 15 novas acções, podem ser vendidos em bolsa, o que minimiza as perdas de quem não vai ao aumento de capital, mas também não pretende vender as acções.

No âmbito do aumento de capital, as novas acções serão vendidas a 9,4 cêntimos, um valor que corresponde a um desconto de cerca de 90% face ao valor de fecho desta segunda-feira, valor que já incorporava uma forte desvalorização das últimas semanas.

O aumento de capital, de 4,269 mil milhões para 5,601 mil milhões de euros, permite devolver os 750 milhões de euros que faltam da ajuda do Estado, recebida em 2012, e fortalecer os rácios de capital.

Permite ainda ao investidor chinês Fosun aumentar a sua participação no BCP para 30% com a injecção de 400 milhões de euros (depois dos 174,58 milhões iniciais aplicados em Novembro quando entrou no BCP). A parte restante tem tomada firme por um sindicato bancário encabeçado pelos norte-americanos J.P. Morgan e Goldman Sachs, mas com a participação de outras entidades bancárias como o Bank of America, Merril Lynch, Credit Suisse e Mediobanca.