Um terço dos jovens diz ter mais qualificações do que o necessário para o trabalho que ocupa

Quanto mais aumenta a idade e a escolaridade, maior é o grau de adequação que os jovens trabalhadores encontram entre as qualificações e o emprego.

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Dos trabalhadores qualificados, são mais o que consideram o seu nível de qualificações desajustado Bruno Lisita

Entre os jovens empregados, mais de metade considera ter as qualificações escolares adequadas para as funções que ocupa no seu trabalho, mas há ainda uma grande franja – um terço – que diz existir algum desajustamento por ter qualificações superiores às necessárias, estima o Instituto Nacional de Estatística (INE) num estudo publicado nesta sexta-feira.

A análise, centrada na situação dos jovens no mercado de trabalho, é assinada pelo técnico de estatística Célio Oliveira, com base num inquérito realizado em conjunto com os dados do emprego do segundo trimestre.

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Como população jovem foram considerados os cidadãos dos 15 aos 34 anos. Ponto de partida: entre as 2284 mil pessoas desta faixa etária, mais de metade estavam empregadas, 9,9% estavam desempregadas e 38,5% eram inactivas.

À amostra representativa deste universo de jovens que estão a trabalhar (uma população de 1182 mil pessoas), o INE colocou uma pergunta com várias hipóteses de resposta para tentar medir o quanto as pessoas vêem como adequada (ou inadequada) a qualificação escolar em relação às tarefas que desempenham. É “totalmente ou bastante adequada”?; “em certa medida adequada”; “pouco ou muito pouco adequada”?; ou “totalmente adequada”?.

Vejam-se algumas conclusões do autor do estudo, Célio Oliveira. Para 49,7% dos jovens trabalhadores, “o seu nível de escolaridade era totalmente ou bastante adequado para o trabalho exercido” (mas atenção, alerta o autor, é preciso ver que o “nível de escolaridade não é o mesmo que orientação ou área do curso” frequentado ou concluído por essas pessoas).

“A diferença entre sexos era reduzida, com vantagem para as mulheres (50,9%) face aos homens (48,5%)”. Quanto mais aumenta a idade e o grau de escolaridade, maior é o “grau de adequação”. Este indicador é assim “mais elevado entre os jovens adultos dos 25 aos 34 anos (51,5%)” do que entre os jovens dos 15 aos 244; e a percentagem é também mais elevada “entre os jovens com ensino superior (59,9%)”.

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Além daqueles 49,7%, há 45,1% para quem a sua qualificação para o emprego não é adequada – e aqui entram tanto os que acham que têm mais qualificações do que o necessário (32% da população jovem empregada), como os que consideram ter uma qualificação mais baixa do que a que exigida (8,2%), e ainda os que não souberam classificar. Depois, somam-se 5,3% que não souberam responder.

Diferença entre profissões

Entre o terço de jovens empregados que disseram ter qualificações superiores às necessárias a situação “é mais frequente entre as mulheres (33,5%), os jovens dos 15 aos 24 anos (37,4%) e os jovens com ensino secundário ou pós-secundário (37,5%)”.

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As “maiores disparidades” acontecem entre profissões. Alguns exemplos referidos: “Para 72,1% dos quadros superiores e especialistas as suas qualificações foram consideradas totalmente ou bastante adequadas, 16,5% referiram ter mais qualificações que as necessárias para o trabalho exercido e apenas 6,5% indicaram ter menos qualificações escolares que as necessárias para o trabalho realizado”.

Já “entre técnicos e profissões de nível intermédio e trabalhadores qualificados, foram mais os que disseram existir um desajuste (49,9%) do que os que disseram ter qualificações adequadas (44,2%). Para 35,9% neste grupo profissional o seu nível de qualificações foi considerado superior ao necessário para o trabalho exercido. Entre os trabalhadores não qualificados foram mais os que disseram ter qualificações escolares desajustadas (54,8%) do que totalmente ou bastante adequadas ao trabalho exercido (35,5%)”.

O autor sublinha, noutra parte do estudo, como a situação económica no momento em que uma pessoa entra no mercado de trabalho tem repercussões no seu futuro profissional. “Os resultados sugerem também que o ano de saída da escola tem impacto na taxa de empregabilidade futura, sendo que neste caso o futuro foi o segundo trimestre de 2016”. Quem terminou “os seus estudos há mais tempo”, a taxa era mais elevada. Diz o autor: “Para aqueles que saíram da escola durante o ano de 2015, mais de metade (59,2%) tinha um emprego à data da entrevista. Este número sobre para 70,9% entre os que terminaram os seus estudos um ano antes (2014). A taxa de emprego era consistentemente superior a 80,0% para aqueles que terminaram os estudos antes de 2008, sendo mais elevada (85,0%) para os que saíram da escola de 2001 a 2005”.