Uma vitória militar em Alepo não ajudará Assad, avisa John Kerry

Secretário de Estado norte-americano deixou o aviso antes de nova reunião com a Rússia.

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Kerry nesta terça-feira em Bruxelas AFP/JOHN THYS

A Rússia diz que Bashar Al-Assad está disposto a sentar-se à mesa das negociações para discutir uma saída política para a guerra que destrói a Síria há mais de cinco anos – Moscovo garante que esta condição faz parte do acordo para apoiar Damasco no conflito. “Pessoalmente, sou a favor de testar esta promessa”, disse o secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

Kerry vai encontrar-se mais uma vez na quarta-feira com o seu homólogo russo Sergei Lavrov em Hamburgo, depois de Moscovo ter ameaçado “eliminar” quem recusar abandonar a cidade de Alepo, mantida sob bombardementos inclementes. Mas as expectativas do secretário de Estado norte-americano não são elevadas.

“Em Genebra, trouxemos toda a agente para a mesa das negociações, conseguimos um cessar-fogo, que toda a gente apoiou, até a Rússia e o Irão. Mas as pessoas escolheram continuar a lutar, e o derramamento de sangue foi ainda maior do que temíamos. Assad sempre demonstrou a intenção de lutar e lutar e lutar”, disse Kerry, em Bruxelas, onde participou numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO – a última em que estará presente como chefe da diplomacia americana.

A queda iminente de Alepo, e todos os horrores da guerra que se têm vivido nesta cidade milenar, e património da humanidade, não será uma vitória decisiva como parece julgar Assad e a Rússia que o apoia, defendeu Kerry. “Mesmo que a cidade caia, não se alterará grande coisa na complexidade desta guerra. Os sírios não se unirão depois disso. A comunidade internacional não estará disposta a ajudar à reconstrução da Síria – Assad terá de pagá-la sozinho”, avisou.

“O mundo não se vai unir para apoiar a Síria se não houver uma solução política para a guerra – a Rússia tem de compreender isso”, deixou no ar John Kerry, em tempo de despedida da função de diplomata chefe dos EUA.

A jornalista viajou a convite da NATO

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