Web Summit abre portas a 66 startups portuguesas e anuncia escritório em Lisboa

Empresa que organiza o evento vai ter a primeira representação fora da Irlanda.

Empresas vão ter entrada grátis no evento
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Empresas vão ter entrada grátis no evento Miguel Manso

Havia música, algumas bancas e roulottes a vender comida, pelo menos um graffiter a desenhar numa parede, um apresentador muito mais entusiasmado do que a plateia, um certo ar de festival e dezenas de startups a tentarem convencer júris junto a antigas máquinas de fazer pão. Foi num ambiente festivo e de alguma confusão que foram anunciadas as 66 startups que vão representar Portugal na Web Summit, um grande evento de empreendedorismo organizado por uma empresa irlandesa e que acontecerá em Novembro, em Lisboa.

O concurso Road2WebSummit, promovido pelo Governo e pela própria organização, tinha recebido 237 inscrições de startups interessadas em irem ao evento e apurado 170 finalistas. As 66 vencedoras foram escolhidas nesta quarta-feira, depois de uma apresentação de poucos minutos perante um dos vários painéis de júris, numa espécie de cubículos improvisados em que o inglês era a língua corrente.

A selecção aconteceu naquilo que é agora chamado o Hub Criativo do Beato – uma série de edifícios gastos pelo tempo que incluem uma antiga fábrica de pão e armazéns militares naquela zona de Lisboa, que a autarquia está a transformar num espaço dedicado a indústrias tecnológicas e criativas. As startups escolhidas têm agora direito a ter um stand na Web Summit (um passe que, em condições normais, custa cerca de dois mil euros e tem de passar por um processo de aprovação por parte dos organizadores) e a uma entrada para quatro pessoas. As startups terão também acesso a sessões de formação e há ainda sete empresas que participarão num encontro com líderes políticos internacionais.

Na lista das startups escolhidas estão produtos que vão de software para a gestão de empresas (Magnifinance), a soluções de segurança informática (Probe.ly), passando por produtos na área da saúde (Magnomics, MitoDIETS) e da agricultura (WiseCrop). Uma das empresas mais antigas na lista é a Science4you, constituída em 2011 e que comercializa jogos e brinquedos educativos. 

"Oportunidade extraordinária", classifica Costa

Após o anúncio, foi a vez de o primeiro-ministro subir ao palco de uma sala quente e lotada (o autarca Fernando Medina tinha lembrado pouco antes, enquanto discursava, que o ar condicionado já foi inventado há muito) para fazer uma apologia do empreendedorismo tecnológico e defender que o país deve apostar em áreas fora daquelas a que está tipicamente associado. "A Web Summit é um evento muito importante, é uma referência e é uma forma de afirmar o país de um modo diferente da sua imagem tradicional. Sabe-se que somos um grande destino turístico, um grande produtor de sapatos, de azeite, de vinho e de têxteis, mas temos de ter também o perfil de sermos bons na indústria automóvel ou na indústria aeronáutica, e temos hoje uma multiplicidade de empresas nas áreas das novas tecnologias", argumentou António Costa, que classificou a o evento de Novembro como “uma oportunidade extraordinária para construir e globalizar estas empresas”. 

A Web Summit, cuja vinda para Portugal após cinco edições em Dublin foi anunciada em Setembro do ano passado, tem tido um forte apoio por parte das autoridades portuguesas e há mesmo um grupo de trabalho criado pelo Governo para acompanhar o evento. A organização espera cerca de 50 mil participantes, muitos dos quais virão do estrangeiro, e 600 oradores. Muitos dos palestrantes são de empresas na área das tecnologias de informação, mas também há executivos da indústria automóvel, músicos, e uma mão-cheia de ex-futebolistas e dirigentes desportivos.

Já a empresa por trás da Web Summit (que se dedica também à organização de outros eventos) aproveitou para anunciar que abrirá em Lisboa o primeiro escritório fora da Irlanda. Paddy Cosgrave, co-fundador e o rosto mais conhecido do evento, afirmou, durante uma conferência de imprensa, ter em Dublin “muitas pessoas” que não se importariam de estar a trabalhar na capital portuguesa.

Em respostas a perguntas dos jornalistas, Cosgrave escusou-se a comentar uma frase dita pouco antes pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que falara em ter o evento a decorrer Lisboa durante cinco anos, quando o compromisso apresentado pela empresa e pelo Governo é de apenas três. “A minha atenção está nas próximas seis semanas”, disse o responsável, que também afirmou não conhecer as expectativas de receitas para esta edição, nem os custos de organizar a Web Summit em Lisboa.