Cinco pessoas infectadas com vírus Zika em Miami Beach

Mulheres grávidas não devem viajar para região da Florida, segundo as autoridades de Saúde. Há receios que vírus continue a espalhar-se pelos EUA.

A indústria do turismo está preocupada com o impacto do Zika
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A indústria do turismo está preocupada com o impacto do Zika Angel Valentin/AFP

As autoridades da saúde dos Estados Unidos avisaram nesta sexta-feira que as mulheres grávidas não devem viajar para Miami Beach, na Florida, depois de se ter confirmado a existência de um foco de mosquitos com o vírus Zika naquela cidade costeira, conhecida por ser um destino turístico, e de já terem sido identificados cinco casos de Zika com origem em Miami Beach. .

Os Centros para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) sugeriram que as mulheres grávidas preocupadas com o Zika – que já se demonstrou causar microcefalias e outros problemas nos fetos – considerarem evitar todo o município de Miami-Dade. Estes avisos representam um desafio para a indústria do turismo e aumentam o receio de que o vírus se espalhe pelo território norte-americano.

“Isto significa que acreditamos ter uma nova área onde ocorrem transmissões locais em Miami Beach”, disse Rick Scott, governador da Florida, numa conferência de imprensa. Já começaram a ser aplicados pesticidas para combater o mosquito que transporta o Zika, o Aedes aegypti, assegurou Scott. As novas transmissões ocorreram quando o município Miami-Dade já estava a combater o Zika no bairro das artes de Wynwood, uma das zonas da cidade de Miami, adjacente a Miami Beach, onde ocorreram os primeiros casos de transmissão no território continental dos Estados Unidos.

Apesar de não ter sido apanhado de surpresa pelas notícias, Steve Ehrlich está preocupado. Este habitante de Miami Beach de 30 anos vive junto dos quarteirões onde se deram as cinco transmissões do Zika. “Sabia-se que o vírus iria dispersar-se por todo o sítio”, disse. Apesar de Ehrlich e da sua mulher não terem nenhum plano imediato para ter mais filhos, qualquer vontade que tivessem de o fazer foi posta na prateleira por tempo indeterminado.

As orientações actuais dos CDC recomendam que os homens esperem seis meses após serem infectados com o Zika antes de tentarem ter crianças. Deste modo, evitam que o vírus passe às suas parceiras pelo sémen. Estas recomendações têm como base observações de que o vírus pode viver no sémen até 93 dias após a infecção (cerca de três meses), mas um estudo recente publicado na revista Eurosurveillence descreveu dois casos em que o vírus manteve-se no sémen da pessoa infectada durante seis meses.

“O CDC está a dar recomendações sobre quanto tempo se deve esperar antes de se engravidar, mas parece que ninguém sabe exactamente quanto tempo é que o vírus fica no sistema”, disse Steve Ehrlich. “Isso é assustador porque no futuro queremos ter mais filhos.”

Numa conferência de imprensa feita por telefone, nesta sexta-feira, Tom Frieden, director do CDC, disse que houve pelo menos outros quatro casos de infecção do vírus Zika em Miami-Dade. Estes eram casos individuais e não representavam transmissões locais. Segundo o responsável, é difícil determinar se os casos foram adquiridos localmente e se estão relacionados uns com os outros. Como resultado, pode haver um atraso em identificar o avanço da doença a nível local.

Por isso, Tom Frieden disse que poderiam haver transmissões que não tinham sido identificadas em Miami. Essa é a razão para o aviso das mulheres grávidas e dos seus parceiros sexuais evitarem todo o município de Miami-Dade. Dos cinco novos casos em Miami Beach, três foram pessoas que estavam a fazer turismo na cidade costeira.

Na sexta-feira, as autoridades de saúde dos EUA publicaram ainda um estudo que estima que 270 bebés nascidos em Porto Rico (ilha das Caraíbas cuja soberania pertence aos EUA) poderão ter microcefalia causada por infecções do Zika durante a gravidez das suas mães.

A 12 de Agosto foi declarada a emergência de saúde pública naquele território dos EUA depois dos laboratórios terem confirmado mais de 10.000 casos de Zika em Porto Rico, incluindo mais de um milhar de mulheres grávidas. Estima-se que esta condição, em que as crianças nascem com cabeças pequenas e cérebros subdesenvolvidos, custe dez milhões de dólares (8,8 milhões de euros) durante o tempo de vida de uma criança.

A desconfiança de uma ligação entre o vírus Zika e a microcefalia surgiu no Outono passado no Brasil, onde já se confirmaram a existência de 1800 casos de microcefalia em bebés ligados a mães infectadas pelo vírus durante a gravidez.