Costa recebido por manifestação de colégios privados

Algumas dezenas de manifestantes estão à porta do congresso do PS para protestar contra os cortes nos contratos de associação.

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Dezenas de pessoas, sobretudo professores e trabalhadores de colégios, manifestaram-se contra a revisão dos contratos de associação Nuno Ferreira Santos
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Dezenas de pessoas, sobretudo professores e trabalhadores de colégios, manifestaram-se contra a revisão dos contratos de associação Nuno Ferreira Santos
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Dezenas de pessoas, sobretudo professores e trabalhadores de colégios, manifestaram-se contra a revisão dos contratos de associação Nuno Ferreira Santos

Desta vez não estão vestidos de camisola amarela. Em frente à Feira Internacional de Lisboa, concentraram-se algumas dezenas de manifestantes, sobretudo professores e trabalhadores de colégios, contra a revisão dos contratos de associação.

"A nossa ideia é em primeiro lugar de mostrar que há pessoas que aqui estão que estão a ser vítimas" desta política, diz aos jornalistas Associação de Professores das Escolas Particulares com Contratos de Associação (APEPCCA), João Paulo Moinhos. "Está a decorrer um congresso do PS, que pode ter uma acção junto do Governo para que este aja com bom senso e não condene à morte" os colégios que agora deixam de ter financiamento para abrirem novas turmas de início de ciclo.

O argumento destes manifestantes é que esta revisão dos contratos de associação - que corta o financiamento a novas turmas em colégios privados e do ensino cooperativo quando há uma escola pública nas proximidades com condições para receber os novos alunos - provocará, a curto prazo, o encerramento de algumas destas escolas e ao desemprego de professores e pessoal não docente. "O que se está a decretar não é o fim de turmas de início de ciclo, é o fim destas escolas no prazo de um, dois anos", diz Paulo Moinhos.

Nos cartazes que levaram para a manifestação, mostram algumas palavras de ordem contra o Governo e alguns chegam mesmo a considerar este governo ilegítimo: "Costa não te esqueças que perdeste as eleições" ou "o Bloco é quem mais ordena".

As manifestações têm acontecido um pouco por todo o país e já não é a primeira vez que o fazem onde está o primeiro-ministro, mas desta vez não vieram vestidos com as habituais camisolas amarelas. Tudo porque, explicam, este protesto é sobretudo "de professores e trabalhadores" e não de pais e alunos.

Durante algum tempo, ficaram manifestantes de um lado e socialistas de outro, numa espécie de combate de claques em que de um lado gritavam "Portugal" e do outro lado "PS".

Com a secretária de Estado da Educação no congresso - Alexandra Leitão entrou nos órgãos nacionais do PS, estando em quarto lugar da lista da Comissão Nacional -, acabou por ser Porfírio Silva, secretário nacional do partido, a responder à manifestação, uma vez que se trata de uma reunião partidária e tem sido este o dirigente a falar sobre este assunto. "Gostava que não boicotassem os nossos congressos que também não boicotamos as manifestações. Mas é a democracia. Os manifestantes deveriam perguntar porquê a quem os enganou", disse Portírio Silva em declarações aos jornalistas.

"O Governo está a cumprir a lei e se o anterior Governo não informou os colégios que tinha dito ao Tribunal Constitucional que os contratos de associação era para sítios onde havia carência de rede pública, enganou-os". O dirigente socialista insistiu ainda que a "manifestação até é justa", mas "se calhar deveria ser feita junto de quem os enganou".