Queda de 10,8% das acções do BCP leva CMVM a proibir vendas a descoberto

Títulos do banco fecharam abaixo dos três cêntimos e a capitalização bolsista encolheu quase 200 milhões de euros.

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Os títulos do banco presidido por Nuno Amado valem 0,0273 euros Miguel Manso

A forte queda das acções do BCP na sessão desta quarta-feira, que culminou numa perda de 10,78% no fecho da bolsa, levou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a proibir as vendas a descoberto dos títulos do banco durante todo o dia de quinta-feira.

As acções do banco liderado por Nuno Amado encerraram a valer 0,0273 euros cada. Com o recuo dos títulos, a capitalização bolsista da instituição financeira encolheu mais de 194 milhões de euros, colocando a avaliação do BCP nos 1611,8 milhões, menos 68 milhões do que o valor do BPI em bolsa.

O movimento aconteceu num dia de perdas para quase todos os títulos do PSI-20, o principal índice da Bolsa de Lisboa. Na Europa, a sessão também foi negativa para o sector bancário, com o índice bancário Stoxx 600 Bank a perder 1,74%. No PSI-20, o BPI deslizou 1,03% e o fundo de participação do Montepio perdeu 0,35%.

Os títulos do BCP fecharam a um valor abaixo dos três cêntimos (de 0,0306 euros na terça-feira para 0,0273 na sessão de nesta quarta-feira). E o facto de terem recuado mais de 10% forçou uma reacção do regulador do mercado de capitais em relação às vendas a descoberto.

As short selling, como são conhecidas nos mercados financeiros, são operações em que o vendedor aliena um activo a descoberto (por via de um empréstimo que lhe atribui a titularidade futura desse instrumento financeiro), na expectativa de que o preço desça, para que o possa recomprar mais tarde por um valor mais baixo.

A proibição imposta pela CMVM é temporária, sendo válida das 0h00 às 23h59 desta quinta-feira. Para decidir travar as vendas curtas, o regulador teve em conta que a “flutuação do preço das acções em causa não pode excluir a ocorrência de um fenómeno de especulação com impacto negativo”.

A descida dos títulos aconteceu no mesmo dia em que se ficou a saber que o BCP surge referido numa lista elaborada pelo Goldman Sachs relativamente aos bancos europeus que estes analistas consideram mais “vulneráveis”. Em bolsa, o sector bancário tem estado volátil desde o início do ano e o sentimento dos investidores esfriou depois de serem anunciados aumentos de capital no sector bancário em Espanha e Itália (pelo espanhol Banco Popular, presente no mercado português, e pelo regional italiano Veneto Banca).

Na bolsa portuguesa, o PSI-20 terminou a sessão a cair 2,17%, com 17 das 18 empresas actualmente cotadas no índice a perderem valor em relação a terça-feira. A excepção foi a Pharol, que subiu 2,14%.

A desvalorização da praça portuguesa foi a mais expressiva entre as principais bolsas europeias, seguindo-se as congéneres espanhola e italiana. Na bolsa de Madrid, o IBEX 35 caiu 1,3% e em Milão a descida do FTSE MIB foi de 1,19%. Com perdas mais contidas encerraram as praças de Londres (-0,62%), Paris (-0,67%), Frankfurt (-0,57%), Bruxelas (0,28%) e Amesterdão (0,24%).

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