Vodafone concretiza compra da rede de fibra óptica da antiga Optimus

Negócio estava previsto nas condições de aprovação da fusão entre a Zon e a Optimus pela Autoridade da Concorrência.

Mário Vaz, presidente da Vodafone, na conferência da Anacom “Regulação no novo ecossistema digital”
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Mário Vaz, presidente da Vodafone, na conferência da Anacom “Regulação no novo ecossistema digital” Nuno Ferreira Santos

A Vodafone exerceu em Fevereiro a opção de compra da rede de fibra em que tinha co-investido com a Optimus, nas zonas de Lisboa e do Porto. Esta era uma possibilidade que estava prevista desde que, em Agosto de 2013, a Autoridade da Concorrência (AdC) aprovou o negócio de fusão entre a Zon e a Optimus, impondo algumas condições para que a operação que veio dar origem à NOS pudesse avançar.

O regulador da concorrência não só impôs que o prazo de vigência do acordo de partilha de rede entre as operadoras fosse prorrogado, “assegurando, dessa forma, que a Vodafone continue a ter acesso à infra-estrutura de rede de fibra da Optimus”, como obrigou esta empresa a garantir à concorrente uma opção de compra sobre a infra-estrutura.

A confirmação da transacção entre as duas empresas, que foi avançada pelo site Dinheiro Vivo, surge no relatório e contas de 2015 da NOS. Sem precisar montantes, o documento refere que o valor da venda corresponde “ao valor contabilístico daquela rede, líquido de amortizações”, tal como ficou definido pela AdC na análise à fusão Zon/Optimus.

Apesar de a propriedade da infra-estrutura ter passado integralmente para a Vodafone, o negócio em nada veio alterar a extensão da rede da empresa. É que a Vodafone já tinha acesso a estas instalações desde que assinou o acordo de partilha de investimento com a Optimus, em 2010, que previa que cada empresa cedesse à outra o acesso a 200 mil casas (fazendo-se a disputa por clientes por via das respectivas propostas comerciais).

A partilha de investimentos foi desde sempre uma modalidade defendida pela Vodafone, por permitir maior racionalidade nos investimentos e evitar a sobreposição de redes. Em Julho de 2014, a empresa liderada por Mário Vaz também assinou um acordo semelhante com a PT, que pressupunha a “fibragem” de um total de 900 mil casas.

Apesar de o investimento inicialmente previsto ter ficado concluído, este acordo ficou envolto em alguma polémica com a entrada em cena da Altice, que comprou e passou a gerir a PT no Verão passado. É que, apesar de a Vodafone considerar que o acordo de parceria é válido para 25 anos e que as empresas deverão consultar-se para novas decisões de investimento, a PT anunciou um plano para expandir sozinha a sua rede de fibra, dos cerca de 2,3 milhões de instalações, para 5,3 milhões até 2020, a um ritmo de 600 mil casas por ano.

Apesar de serem metas ambiciosas, nem a PT, nem a Altice, alguma vez quantificaram o custo deste plano de desenvolvimento da rede. Já a Vodafone anunciou em Dezembro um novo investimento de 125 milhões de euros para fazer chegar fibra a mais 550 mil casas até Abril de 2017 (face aos cerca de 2,2 milhões no final do ano passado).