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Regime sírio reconquista Palmira, a cidade milenar semidestruída pelo Estado Islâmico

A Rússia foi crucial para que as tropas de Assad conseguissem recuperar a cidade património da humanidade. É uma reconquista importante para o regime, com valor simbólico e estratégico.

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As ruínas destruídas pelo Estado Islâmico na cidade de Palmira. A foto é de 26 de Março AFP PHOTO/STRINGER
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As ruínas destruídas pelo Estado Islâmico na cidade de Palmira. A foto é de 26 de Março AFP PHOTO/STRINGER
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A operação do Exército sírio teve o apoio da Rússia e da milícia xiita libanesa do Hezbollah REUTERS/SANA
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O teatro de Palmira, numa imagem de 2008 REUTERS/Omar Sanadiki
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Imagem da agência síria com estragos provocados pelo Estado Islâmico na cidadela de Palmira REUTERS/SANA
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Imagem de 27 de Março de Palmira AFP
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Imagem de 27 de Março de Palmira AFP

O regime sírio declarou triunfalmente o fim de quase um ano de domínio jihadista de Palmira, ao anunciar este domingo ter reconquistado a totalidade da cidade património mundial da UNESCO ao grupo Estado Islâmico (EI), que sofre assim uma das — se não a — mais pesada derrota militar desde que proclamou o seu "califado" na Síria e Iraque. “A libertação da cidade histórica de Palmira é uma conquista importante e uma nova indicação do sucesso da estratégia do exército sírio e dos seus aliados na guerra contra o terrorismo”, afirmou o Presidente Bashar al-Assad, citado pela televisão estatal.

A derrota em Palmira é uma machadada importante nas ambições do EI. O grupo perde de uma vez só o seu mais importante palco mediático na Síria — num momento em que depende quase exclusivamente das suas acções terroristas na Europa para preservar a imagem de sucesso — e um território estratégico. Os jihadistas perderam cerca de 400 combatentes só nestas três semanas da campanha por Palmira, muitos deles reforços enviados dos seus bastiões em Deir Ezzor e da cidade que reclamam como capital, Raqqa, que ficam assim expostos ao avanço das forças de Damasco. Regime e milícias aliadas perderam menos de metade dos homens: 188, segundo contas da organização oposicionista Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

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Imagem de Palmira, tirada neste domingo AFP

A Rússia foi fundamental para o sucesso militar em Palmira. Mesmo depois de Vladimir Putin anunciar a retirada de grande parte das suas forças na Síria, a aviação russa redobrou a ofensiva sobre os jihadistas na cidade, enquanto as milícias libanesas do Hezbollah e o exército sírio avançavam lentamente sobre os campos armadilhados pelo Estado Islâmico. Moscovo estreou em combate os seus novos helicópteros Mi-28 e enviou membros das suas forças especiais para o terreno — há quem diga que o faz desde que começou a sua campanha aérea, a 30 de Setembro, e esta última semana lamentou a morte de um militar russo nos arredores de Palmira.

Crónica: Choro ruínas como choro pessoas

Poucos momentos agarraram a atenção do mundo durante a guerra civil síria como quando, numa questão de poucos dias, o regime sírio deixou cair Palmira para as mãos do Estado Islâmico, levando muitos a especular sobre se o regime não entregara deliberadamente a cidade para reforçar a sua imagem do protector da ordem no país, ao mesmo tempo que dava novos meios aos jihadistas para propagarem a sua barbaridade cultural. Se assim foi, o EI não desiludiu.

Devastação cultural

A reconquista de Palmira chegou demasiado tarde para os seus mais preciosos monumentos, os mesmos que fizeram dela a “pérola do deserto” da Rota da Seda e uma das mais importantes cidades históricas no Médio Oriente. Em muitos sentidos, Palmira representa aquilo que os jihadistas mais combatem: é a prova arquitectónica da diversidade cultural e religiosa do país e da região, oriunda, para além do mais, de um período que antecede o Islão. Por isso, mas também como propaganda triunfalista, os jihadistas destruíram ao longo do seu reino em Palmira o que consideraram as suas maiores demonstrações de apostasia e que para o mundo era o seu inestimável património.

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Armadilharam e explodiram o Templo de Bel, o mais importante monumento de Palmira; fizeram o mesmo com o templo de Baal-Shamin, as torres funerárias da cidade e o seu célebre Arco do Triunfo. Destruíram várias estátuas nas ruas e pilharam o museu da cidade, como antes fizeram em Hatra e Nimrud, no Iraque. Passadas poucas semanas de terem entrado em Palmira, em Maio, os jihadistas decapitaram Khaled al-Asaad, um destacado arqueólogo sírio de 81 anos, que há décadas estudava e ajudava a preservar as ruínas de Palmira. O seu corpo foi exibido na rua.  

"Palmira é um cenário perfeito para intimidar o mundo"

Mas o director-geral das Antiguidades e Museus da Síria, Maamoun Abdulkarim, prometeu este domingo que os estragos seriam reconstruídos. “Não vamos deixar os templos destruídos”, disse, desde Damasco, ao diário britânico Guardian. “Vamos avaliar os estragos nos blocos de pedra e vamos reutilizá-los para reconstruir cientificamente os templos”, afirmou, prometendo planos para a recuperação de Palmira já para a semana. Também a directora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse esta semana que viajaria para Palmira para avaliar os estragos no património “assim que as condições de segurança o permitirem”. 

Palmira, o oásis multicultural em risco 

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