Moody’s aplaude Governo pela aprovação do Orçamento

Agência de notação diz que aprovação de OE pelos três partidos de esquerda demonstrou a capacidade de recuar e desenhar medidas mais realistas.

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Mike Segar/Reuters

A aprovação do Orçamento do Estado para 2016, que coloca o défice nos 2,2% do PIB, foi elogiada, nesta quinta-feira, pela agência de notação financeira Moody’s. Em comunicado, a Moody’s diz que a aprovação do OE pelos três partidos de esquerda “demonstrou a capacidade e vontade do Governo de inverter o rumo e definir um caminho orçamental mais realista do que o que foi apresentado no primeiro esboço no início de Fevereiro”.

“Também deixa de lado o risco de eleições antecipadas, que seriam desencadeadas, caso houvesse um voto negativo dos partidos de esquerda”, continua a agência.

O Governo já se congratulou com esta posição, com o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais a mostrar "agrado" com o aval da Moody's e a prometer todo o empenho do executivo em dar confiança aos investidores.

"O Governo regista com agrado a aprovação da Moody's. É um reconhecimento do esforço do Governo", destacou Fernando Rocha Andrade à margem da conferência Orçamento em Exame, que decorre nesta quinta-feira em Lisboa.

Recordando que a aprovação se seguiu a “intensas negociações com a Comissão Europeia”, a Moody’s refere ainda que todo o processo mostra a vontade da Comissão em fazer com que os Estados-membros definam metas orçamentais que sejam “consistentes com a zona euro”. “A Comissão entendeu que o esboço inicial do OE de inícios de Fevereiro era insuficiente, porque não incorporava melhorias estruturais no balanço e se baseava em previsões de crescimento optimistas”, afirma.

A Moody’s defende que o défice irá exceder a meta governamental, tendo em conta as suas próprias previsões de crescimento (de 1,6% contra os 1,8% do executivo). Além disso, diz que se espera que “uma parte importante das poupanças orçamentais sejam geradas pela eficiência na administração pública e um congelamento nominal do consumo de bens de serviços por parte do Estado”, mas não acredita que este objectivo “se concretize totalmente”. A agência aponta para um défice de 3% do PIB este ano.