Edgar sem vergonha dos cravos vermelhos e apostado na erradicação da pobreza

Candidato presidencial em campanha emalpiarça.

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O candidato presidencial Edgar Silva desejou nesta segunda-feira um chefe de Estado que não tenha vergonha de usar cravos vermelhos, símbolo do 25 de Abril, na lapela, num comício nocturno dedicado ao problema da pobreza e necessidade da sua erradicação.

Em Alpiarça, o membro do Comité Central do PCP foi brindado com um ramo das flores que marcaram a revolução que acabou com o Estado Novo e logo aproveitou a ocasião para transmitir à plateia que a sua candidatura tem essa marca distintiva, "escrita a letras de fogo na palma da mão" - "a liberdade, a democracia e Abril".

"É sempre gratificante receber flores, então cravos vermelhos mais enche o coração. Ainda mais importante do ponto de vista político é haver não só um candidato, mas eu estou em crer que há de haver um dia - e poderá não estar longe - em que havemos de ter na Presidência da República um Presidente que não se envergonhe dos cravos vermelhos, de ostentar os valores de Abril que tanto custaram a conquistar", afirmou.

O deputado regional madeirense sublinhou que a sua candidatura "também tem essa marca, escrita quase com letras de fogo na palma da mão as palavras liberdade, democracia, Abril".

"Num país em que um terço da população vive na pobreza absoluta, que tem cerca de três milhões na pobreza - não são remediados, não dizem que está difícil, não, estão na pobreza absoluta -, como é que um Presidente pode ter sossego, viver descansado, como pode dormir, ter repouso? Não pode, não deveria", lamentou.

Para o antigo padre católico, "não basta alguém fazer um discurso como outros Presidentes já fizeram, dizer que há pobreza, isso qualquer senhora da conferência de São Vicente de Paulo faz", desvalorizou, referindo-se ao movimento leigos que se dedica à caridade.

"Há toda uma economia, toda uma lógica de impor regras para que apenas 1% (da população) possa ter tudo, enquanto os outros têm algumas sobras e a outros nem migalhas chegam", condenou, citando a existência de pobreza em 13% dos trabalhadores por conta de outrem e o facto de 40% dos pobres de Portugal terem trabalho e salários, "mas porque os salários são tão baixos continuam na pobreza e na miséria".