O que pomos no prato… não é o que devíamos pôr

Demasiada carne; legumes e fruta a menos. E, sobretudo, sal em excesso. Estes são os maiores desequilíbrios na alimentação actual dos portugueses. Quanto ao mundo, desde 2002 que a alimentação disparou exactamente nos sentidos opostos ao recomendado.

Os números não deixam margem para dúvidas: os portugueses comem muito mais proteína animal (carne, ovos e pescado) e lacticínios do que o recomendado e muito menos fruta e hortícolas. Estes hábitos alimentares inadequados têm um peso muito considerável (19,2%) nos factores de risco associados às principais doenças – ou seja, contribuem mais para elas do que outros hábitos, como por exemplo a pouca actividade física ou o consumo de álcool. Além disso, continuamos a consumir mais calorias por dia (3398) do que o ideal (de 2000 a 2500). 

A estes factores junta-se outro que representa uma enorme preocupação em Portugal: a ingestão de sal, que é o dobro do recomendado, o que se traduz numa população em que 44% dos homens e 40% das mulheres sofrem de hipertensão arterial.

Quando se olha para o mundo, Portugal anda relativamente a par dos países desenvolvidos (e está bastante melhor no consumo de fruta, por exemplo), enquanto os dados da média mundial mostram que, a partir de 2002, houve mudanças drásticas: o consumo de carne disparou, assim como o de leite e o de vinho, enquanto o de vegetais, leguminosas e cereais está em queda. Ou seja, o mundo parece estar a distanciar-se da balança alimentar recomendada. 

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