Sai a Economia, entram as Ciências Sociais - a renovação do campus de Campolide

O projecto pretende criar espaços de ligação à cidade e integrar a FCSH num novo edifício ainda por construir.

A requalificação do campus prevê a criação de uma alameda e de um novo edifício para a FCSH.
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A requalificação do campus prevê a criação de uma alameda e de um novo edifício para a FCSH. Atelier Teresa da Nunes da Ponte Arquitectura

O projecto de requalificação do Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa, que irá ser apresentado esta quinta-feira na reitoria da universidade, permitirá “abrir o campus à cidade e, por outro lado, integrar a FCSH [Faculdade de Ciências Sociais e Humanas]”, refere a arquitecta responsável pelo projecto, Teresa Nunes da Ponte. Em sentido contrário está a Faculdade de Economia (Nova School of Business and Economics), que sairá para um novo campus em Carcavelos, que será construído até 2017. <_o3a_p>

“O que estamos a fazer é a reordenar o campus”, refere o reitor, António Rendas, acrescentando que esta reestruturação permitirá “receber mais umas dezenas de milhares de estudantes, funcionários e docentes”. Para além disto, o reitor sublinha que esta requalificação pretende criar uma ponte para a cidade, nomeadamente através da construção de uma grande via que permitirá a ligação da Avenida Miguel Torga ao Palácio da Justiça. A circulação entre a Praça de Espanha, o Parque Eduardo VII e a Rua Marquês da Fronteira será facilitada através desta reforma viária.

A arquitecta responsável pelo projecto refere que “esta requalificação é muito importante porque vai dar uma nova imagem a este campus”, existindo também uma forte componente na relação das unidades orgânicas da Nova com os territórios da área metropolitana de Lisboa. O reitor confirma, referindo que o impacto se nota em duas dimensões: dentro da universidade e, por outro lado, no impacto relativo à cidade de Lisboa.<_o3a_p>

O dia escolhido para a apresentação do projecto não foi feito ao acaso: 29 de Outubro é o dia da Universidade Nova. A exposição do projecto permanecerá no local durante algumas semanas mas depois circulará “dentro das várias unidades orgânicas da Universidade Nova” com o objectivo de recolher contributos que possam enriquecer a proposta, declara o reitor. A exposição conta com um vídeo filmado no campus em que são sobrepostas imagens de como será o local depois da requalificação. Haverá também uma apresentação da planta do projecto em painéis gráficos.<_o3a_p>

A arquitecta Teresa Nunes da Ponte diz que “um dos objectivos do projecto é arranjar espaços que convidem ao convívio informal” e revela que serão feitos atravessamentos ao nível do piso térreo do antigo colégio dos Jesuítas em que estão previstos espaços de estudo abertos 24 horas, uma biblioteca central, restaurantes, cafetarias, lojas e reprografias. Nos exteriores, pretende-se que haja a criação de percursos que funcionem como elementos de ligação entre os diversos edifícios, como a reitoria, uma nova cantina, residência e esplanada. O relvado central será transformado numa clareira entre orlas arborizadas com acesso facilitado para cadeiras de rodas, bicicletas ou carrinhos de bebé.<_o3a_p>

A transferência das instalações da FCSH será feita para um novo edifício que ainda não está construído mas já “tem um embrião desenvolvido pelo arquitecto Alberto Souza Oliveira”, indica Teresa Nunes da Ponte. O edifício ficará na área sul do campus. A FCSH encontra-se actualmente localizada na Avenida de Berna, em Lisboa. Quando se transferir para o campus de Campolide, o espaço ficará desocupado e não se sabe ainda qual a sua utilização futura. O reitor explica que "a afectação do espaço não está ainda definida mas será feita em estreita articulação com a Câmara Municipal de Lisboa". <_o3a_p>

O campus ocupa cinco hectares, “o que é uma área bastante razoável para o centro de Lisboa”, observa a arquitecta. Quanto ao investimento, Teresa Nunes da Ponte refere que ainda é “prematuro” falar no assunto, já que estão em fase de estudo e ainda faltam os projectos de arquitectura e arquitectura paisagística. Também o reitor António Rendas refere que se ainda é cedo para "avançar com um valor em concreto".<_o3a_p>

O Plano de Pormenor de Reabilitação Urbana do Campus de Campolide foi aprovado no ano passado pela Câmara Municipal de Lisboa. A previsão é que a partir de Janeiro de 2016 estejam reunidas as condições para dar início à renovação dos espaços verdes. No final de 2016, espera-se que estejam prontos os projectos de execução de arquitectura e de arquitectura paisagista, necessários para o lançamento do concurso público para a execução da obra. António Rendas afirma que o projecto estará completo “com a saída da Faculdade de Economia para Carcavelos em 2017”.

Actualmente, a Faculdade de Economia da Nova, Nova SBE, encontra-se instalada no antigo colégio dos jesuítas, mas assim que se mudar para o Campus em Carcavelos, haverá uma redistribuição das áreas do antigo colégio. “É uma zona muito rica em termos de arquitectura e tem estruturas de ferro de finais de século XIX”, refere a arquitecta Teresa Nunes da Ponte, acrescentando que também será criada uma sala polivalente que poderá ser utilizada para exposições, sessões de cinema, conferências, concertos ou encontros, sendo que a restante área será destinada às faculdades que ficam no Campus: a de Direito, a FCSH e a IMS (Information Management School).

Texto editado por Ana Fernandes