Programa para fazer regressar alunos ao ensino superior mantém fraca procura

Total de 455 candidatos é inferior ao registado no ano passado e fica aquém do objectivo da tutela. Procura de bolsas para estudar no interior cresce

Universidades recordam que não têm dívidas
Foto
Universidades recordam que não têm dívidas PÚBLICO/Arquivo

Pelo segundo ano consecutivo, o programa que o Governo lançou para tentar chamar de volta ao ensino superior alunos que tinham abandonado os estudos tem um nível de procura inferior às expectativas da tutela. Apesar de haver financiamento para um máximo de 3000 bolsas, apenas houve pouco mais de 450 candidaturas para este ano lectivo, um número que fica mesmo aquém do registado no ano passado.

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), esta quarta-feira, 455 ex-estudantes apresentaram a sua candidatura às bolsas do programa Retomar. No ano passado, tinham sido 480 os interessados no final do prazo, apesar de mais de 2500 pessoas se terem registado no portal do Direcção-Geral do Ensino Superior para conhecerem as condições de acesso a este programa.

O Retomar foi a resposta dada, no ano passado, pelo Governo para o problema do abandono do ensino superior, para o qual as associações académicas têm vindo a alertar ao longo dos últimos anos e que atinge 12,2% dos estudantes do ensino público no final do primeiro ano de licenciatura. O programa foi lançado numa iniciativa conjunta do Ministério da Educação e Ciência e do Ministério do Emprego e Segurança Social, com um orçamento de 4,5 milhões de euros.

As contas da tutela apontavam para a possibilidade de financiar até três mil jovens que tenham estado inscritos no ensino superior e tenham desistido. Os estudantes que beneficiem deste programa do Estado recebem um apoio de 1200 euros anuais (ou 100 euros mensais), pagos numa prestação única, para apoiar o regresso aos estudos. As instituições de ensino superior que os acolhem recebem um apoio de 300 euros anuais, destinado à concretização de um plano de acompanhamento do aluno.

O outro programa de bolsas para o ensino superior lançado no ano passado pelo MEC está a ter maior sucesso. O +Superior, destinado a tentar atrair estudantes das regiões do litoral para as instituições de ensino superior localizadas no interior do país, teve este ano um aumento de mais de 50% o número de candidatos. Ao todo, concorreram 2308 estudantes a este apoio.

Estes candidatos vão agora passar por um processo de selecção, uma vez que apenas existem 1000 bolsas +Superior disponíveis. Os estudantes contemplados vão receber um apoio de 1500 euros anuais.

O programa +Superior representa um investimento de cerca de 1,5 milhões de euros anuais, e tem como objetivo atrair candidatos para 11 instituições de ensino superior situadas em regiões do país com menor pressão demográfica. São elegíveis todos os alunos inscritos no ensino superior numa das três fases do Concurso Nacional de Acesso e que não provenham de um concelho de uma das NUTS III envolvidas. A maior parte das bolsas disponíveis destinam-se a instituições do Norte do país. A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro pode receber até 120 alunos ao abrigo deste programa, os Politécnicos de Bragança e Viana do Castelo têm 100 vagas cada.