Convite da coligação para se reunir com António Costa já foi feito esta manhã

Passos e Portas pedem ao PS estabilidade para os próximos anos. António Costa reúne-se já esta quarta-feira com o PCP e na quinta-feira com o Bloco.

Passos Coelho e Paulo Portas na assinatura do acordo de Governo
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Passos Coelho e Paulo Portas na assinatura do acordo de Governo Daniel Rocha

Passos Coelho e Paulo Portas querem uma solução governativa estável – com o apoio do PS – para os próximos quatro anos. António Costa é o primeiro a ser contactado – o convite para uma reunião já seguiu esta quarta-feira – mas os outros partidos não estão excluídos. A mensagem foi deixada na manhã desta quarta-feira, no final da assinatura do acordo de governo entre o PSD e o CDS-PP, em Lisboa.

Estabilidade, responsabilidade e compromisso foram palavras bastante repetidas nas intervenções do líder do PSD e do CDS. Passos Coelho revelou que já pediu uma reunião com António Costa, “o mais rapidamente possível para reunir as condições que permitam materializar uma solução de compromisso e de responsabilidade”. Mas deixou desde já o seu objectivo, que condiciona toda a política a seguir: a meta do défice tem de ficar abaixo dos 3%.

No novo quadro parlamentar, o líder do PSD começou por dizer que o diálogo será aberto a todos os partidos. “Mas não ignoramos que seja no PS que encontramos um núcleo de responsabilidade política, de respeito pelas regras da união económica e monetária”, afirmou, acrescentando que “há do lado do PS uma conhecida vinculação à União Europeia”. Esse respeito pelas regras europeias por parte do PS é que permite que no Parlamento sejam viabilizados o Orçamento do Estado e o Programa de Estabilidade.

Mas não é só a coligação PSD/CDS que vai dialogar com os partidos, uma vez que o PS quer tirar partido do seu papel de charneira no Parlamento. Mesmo antes de responder ao convite de Passos Coelho, António Costa já tinha marcado encontros com os líderes do PCP – para esta quarta-feira às 18h00 – e do Bloco de Esquerda, para quinta-feira de manhã.

Numa declaração perante jornalistas e dirigentes dos dois partidos (sem direito a perguntas), Passos Coelho deu um sinal de que um futuro Governo não pode estar “a cada meio ano” sem saber se “tem ou não condições para gerir a situação orçamental”.

O líder do PSD considerou que tem que se deixar de lado a “confrontação político-partidária” e as diferenças entre as forças políticas que são assinaladas em campanha. Passos Coelho alertou que os próximos tempos não deverão servir para “entrar em campanha eleitoral e em contagem decrescente até às eleições”. E definiu o prazo até 14 de Outubro – data em que devem ser publicados os resultados oficiais – como o calendário em que acredita ser “o tempo adequado” para gerar as “condições de governabilidade” que também foram pedidas por Cavaco Silva.

No final da intervenção, o líder do PSD aproveitou para alertar contra a “especulação” sobre a solução de Governo. “Não vamos alimentar um romance de como se vai compor o Governo”, afirmou.

"Feridas por sarar"
Ao lado de Passos Coelho, o líder do CDS sublinhou a necessidade de promover a governabilidade e não apenas por um ano. “O nosso projecto é governar [durante] quatro anos, o tempo que a Constituição prevê para uma legislatura”, afirmou, defendendo a necessidade de um Governo para “poder completar a transição para o ciclo do crescimento económico, recuperação dos rendimentos e moderação fiscal.”

Portas lembrou que, mesmo quando a coligação governou com maioria absoluta nos últimos quatro anos, mostrou ter espírito de compromisso, ao ter conseguido um acordo de concertação social graças ao apoio da UGT (o que dificilmente se repetirá agora), e entendimentos em torno do aumento do salário mínimo nacional e da descida do IRS (neste caso com o PS).

“Esperamos de todos o mesmo sentido de responsabilidade”, afirmou, reiterando que os compromissos são “necessários para um governo de legislatura”. O líder do CDS referiu que o resultado das urnas do passado domingo reflectiu diferenças, mas não expressou o desejo de “instabilidade”. 

A coligação ganhou "porque merecia ganhar pelo trabalho que fez pelo país", afirmou, reconhecendo que "o resgate foi muito duro para muitas pessoas e famílias". Portas aproveitou para pedir estabilidade e admitiu que há muitas "feridas por sarar". Só com estabilidade, sublinhou, é possível "consolidar o crescimento económico, acelerar a criação de emprego e garantir a recuperação de rendimentos e a moderação fiscal", sem esquecer a "prudência orçamental".