CDS-PP e PPM anunciam coligação eleitoral nos Açores para legislativas

Monárquicos lamentam falta de disponibilidade do PSD açoriano para participar na aliança. Coligação quer eleger um deputado.

O CDS e o PPM vão concorrer coligados às eleições legislativas nacionais deste ano no círculo dos Açores, com o objectivo de eleger um deputado à Assembleia da República.

O anúncio foi feito esta segunda-feira em conferência de imprensa conjunta do líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, e do presidente do PPM, Paulo Estêvão, na Horta, ilha do Faial. A coligação não tem ainda um cabeça de lista, embora o perfil já esteja traçado há muito tempo, segundo disseram aos jornalistas.

"Estamos em condições de garantir que o deputado eleito pelo CDS/PPM será, acima de tudo, um deputado dos Açores", realçou Artur Lima, acrescentando que esse deputado terá "liberdade" para defender a região "acima de qualquer outra circunstância". Artur Lima escusou-se, no entanto, a adiantar mais pormenores ou um nome, dizendo que "não faz sentido anunciá-lo" antes de concluído o acordo de coligação entre os dois partidos.

O líder regional dos centristas adiantou, porém, que o nome da figura que irá encabeçar a lista da coligação CDS-PP/PPM nos Açores deverá ser conhecido antes do final do mês.

Por outro lado, alertou os eleitores açorianos para os riscos de votarem nas listas de candidatos já conhecidas, do PSD e do PS. "Nem Berta Cabral, nem Carlos César, em caso de vitórias, vão exercer o seu lugar na Assembleia da República", advertiu Artur Lima, dizendo que os açorianos devem "olhar bem" para os nomes que se seguem nas listas daqueles dois partidos, para depois não "chorarem".

Paulo Estevão, líder nacional e regional do PPM, realçou, por outro lado, a capacidade que os centristas e os monárquicos açorianos tiveram em garantir um acordo pré-eleitoral, lamentando a ausência do PSD nesta coligação. "Como sabem, foi a liderança do PSD nos Açores que recusou qualquer entendimento eleitoral", afirmou Paulo Estevão, referindo-se ao líder do PSD/Açores, Duarte Freitas, que acusou de ser "incapaz de congregar esforços e articular projectos políticos".

No entender do dirigente monárquico, essa incapacidade do líder do PSD/Açores "beneficia objectivamente" a candidatura de Carlos César, ex-presidente do Governo Regional e cabeça de lista do PS pelo círculo dos Açores, que precisa apenas de mais um voto do que os sociais-democratas para eleger três dos cinco mandatos à Assembleia da República em disputa no arquipélago.

Por isso, Paulo Estevão apela ao voto na única "alternativa" capaz de "quebrar o longo, cinzento e repetitivo rotativismo partidário" que se instalou nos Açores nos últimos 40 anos nas eleições para a Assembleia da República.