Ministro diz que Grécia não consegue pagar 1600 milhões devidos ao FMI em Junho

Para Junho estão programados quatro pagamentos, a realizar entre os dias 5 e 19, a começar por 300 milhões de euros na primeira das datas.

"Este dinheiro não será pago, porque não há”, disse o ministro Nikos Vutsis
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"Este dinheiro não será pago, porque não há”, disse o ministro Nikos Vutsis REUTERS/Alkis Konstantinidis

O ministro do Interior grego, Nikos Voutsis, disse neste domingo que a Grécia não conseguirá pagar os 1600 milhões de euros que em Junho deveria entregar ao Fundo Monetário Internacional (FMI) porque não tem dinheiro para isso.

Os reembolsos “não serão feitos porque não há dinheiro para os fazer”, afirmou, numa entrevista à televisão privada Mega.

A mesma estação noticiou que o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, transmitiu na sexta-feira ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jack Lew, a impossibilidade de fazer face aos compromissos com o FMI que vencem em Junho.

Na semana passada, o porta-voz do grupo parlamentar do Syriza, Nikos Filis, disse mais ou menos o mesmo: “Não temos dinheiro para pagar ao FMI no dia 5 de Junho. Só há dinheiro para os salários e as pensões”.

Para Junho estão programados quatro pagamentos ao FMI, a realizar entre os dias 5 e 19, a começar por 300 milhões de euros na primeira das datas.

Há quatro meses que o Governo de Atenas, os parceiros da zona euro e o FMI discutem um acordo que permita a libertação de 7,2 mil milhões de euros correspondentes à última tranche do segundo resgate da Grécia, cuja transferência foi suspensa antes das eleições que deram a vitória ao Syriza, em Janeiro. Além da questão de curto prazo, está em aberto a possibilidade de a Grécia pedir um terceiro resgate.  

A oposição a novos cortes nos salários e pensões e à liberalização do mercado laboral são alguns dos motivos de desacordo entre Atenas e as instituições credoras: Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI.

Sem receber dinheiro dos credores desde Agosto do ano passado, a Grécia precisa urgentemente de liquidez, mas Nikos Voutsis disse que o Governo está determinado em lutar contra o que classifica como estratégia de “asfixia” e que a “política de austeridade extrema e desemprego” deve ser contrariada.

Questionado sobre os riscos associados ao incumprimento, o ministro disse: “Não estamos à procura disso, não o queremos, não é essa a nossa estratégia”. “Estamos a discutir, baseados num optimismo prudente de que haverá um acordo sólido e o país poderá respirar. É essa a aposta.”

Também neste domingo, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, disse no Andrew Marr Show, da BBC, que a Grécia fez “enormes avanços” para conseguir um acordo e evitar a bancarrota. “Cabe agora às instituições fazerem a sua parte. Nós andámos três quartos do caminho, eles têm de fazer um quarto". Varoufakis qualificou como “um desastre” uma saída da Grécia do euro e previu que seria “o princípio do fim do projecto da moeda única”.

No sábado, Alexis Tsipras declarou que o executivo de Atenas não aceitará um acordo em “termos humilhantes” e usou palavras muito semelhantes às de Varoufakis: “Fizemos o que tínhamos de fazer, agora é a vez da Europa”. Na véspera, o seu principal porta-voz, Gabriel Sakellaridis, declarou que “o Governo grego tenciona honrar todos os seus compromissos, dando prioridade às obrigações domésticas sobre as que tem com os credores”.

Uma sondagem divulgada neste domingo indica, tal como outras anteriores, que a maioria dos gregos apoiam o Governo nas negociações com os credores mas não deseja abandonar a zona euro.

O estudo, realizado pelo instituto Public Issue para o diário pró-governamental Avgi, indica que 54% dos inquiridos aprovam o modo como têm sido conduzidas as negociações e que 59% entendem que o executivo de Tsipras não deve ceder. Os que se opõem a novos cortes nas pensões são 89% e a percentagem dos que estão contra despedimentos colectivos é de 81% Entre os inquiridos, 71% defendem a moeda única e 68% pensam que o regresso do dracma, a antiga moeda grega, agravará a situação do país.