Passos fala do CDS como "principal partido da oposição"

Num debate quinzenal marcado por casos políticos, o primeiro-ministro foi confrontado com o elogio a Dias Loureiro, que é um dos responsáveis da editora que publicou a biografia polémica de Passos Coelho.

Passos acolheu propostas do PS sobre a criação de um banco do fomento e da reabilitação urbana
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Passos acolheu propostas do PS sobre a criação de um banco do fomento e da reabilitação urbana Daniel Rocha

Foi a gaffe do debate quinzenal, todo ele marcado por casos políticos, em que se ficou a saber que Dias Loureiro é presidente da assembleia geral da editora que publicou a biografia polémica do líder do PSD. Passos Coelho quis defender-se da acusação do BE de ter "enxovalhado" Paulo Portas, ao dizer que, em 2013, apresentara a demissão por sms, mas acabou por o identificar como "líder do principal partido da oposição".

Em causa estava a revelação, na biografia autorizada de Pedro Passos Coelho, de que Paulo Portas se demitiu por SMS em 2013. Ferro Rodrigues ironizara sobre a forma usada para essa comunicação – não fora SMS, nem fax, carta ou email, terá sido antes por “sinais de fumo” –, mas o primeiro-ministro não reagiu.

Catarina Martins haveria de ser mais breve, embora mais contundente. A porta-voz bloquista criticava os elogios de Passos, no 1º de Maio, dia do trabalhador, a Dias Loureiro – apontado na comissão parlamentar de inquérito como um dos principais responsáveis pela situação que levou à falência do BPN –, quando recordou que o empresário de Aguiar da Beira "comprou parte" da editora em que Passos “publicou o seu livro em que aproveita para enxovalhar Paulo Portas”.

Passos Coelho acusou a bloquista de “fazer uma espécie de intriga política”. “Nunca na vida enxovalhei ninguém, muito menos o líder do principal partido da oposição [Passos queria referir-se à coligação, mas também não se corrigiu]. Está muito equivocada e está muito equivocada também quanto à forma como dentro do Governo e da nossa maioria sabemos superar as nossas dificuldades.”

Não é a primeira vez que o primeiro-ministro se refere ao CDS-PP como partido da "oposição" em vez de "coligação".

“Este Governo é o primeiro de coligação no Portugal democrático que terminará o seu mandato – o que diz muito sobre a forma como, apesar das nossas diferenças, nós sabemos superar essas diferenças e temos maturidade suficiente para resolver os nossos problemas, pondo o país em primeiro lugar”, defendeu ainda o primeiro-ministro.

O líder do PCP, Jerónimo de Sousa, surpreendeu o primeiro-ministro ao dizer que tinha acabado de receber uma exposição assinada por 50 secretárias e secretários de membros do Governo contra uma redução de salários. E mostrou o papel, levando Passos Coelho a pedir mais informação.

O líder comunista explicou que se tratava de uma posição em torno de uma redução salarial que se pensava temporária e advertiu para eventuais retaliações. Ainda sem conhecer o teor da exposição, o primeiro-ministro recusou qualquer “perseguição” e explicou que o acréscimo de 5% ao corte salarial dos titulares de cargos políticos foi por si imposto e ainda não retirado.

As revelações de Passos Coelho sobre a crise de 2013 foram retomadas pela deputada de Os Verdes Heloísa Apolónia. Se Paulo Portas se demitiu por SMS ou por carta, não é o que está em questão", disse a deputada para concluir: "Esta coligação está rota."

Catarina Martins centrou boa parte da sua interpelação ao primeiro-ministro nos elogios que este fez a Dias Loureiro, que considerou "um insulto aos portugueses e aos empresários". A bloquista lembrou que o caso BPN causou um buraco nas contas públicas de 4,691 milhões de euros, citando o Tribunal de Contas, pelo que há outras tantas razões para que Passos Coelho não o elogie publicamente como "um exemplo para a economia portuguesa".

A porta-voz do BE disse que Dias Loureiro é o exemplo dos "facilitismos" entre política e negócios, teve "negócios ruinosos" em Porto Rico, Marrocos e paraísos fiscais, recordou que quando o Estado o tentou penhorar aquele já colocara os seus bens em nome de outras pessoas e que agora já conseguiu dinheiro para comprar parte da editora Alêtheia. "Não esbanjou o seu [próprio] dinheiro porque esbanjou todo o nosso dinheiro", atirou Catarina Martins.

Passos Coelho voltaria a insistir nos elogios ao antigo ministro social-democrata. "Espero que ele não se sinta visado nem ultrapassado por eu ter suposto que, com o que viu no mundo e com a experiência que adquiriu, partindo de Aguiar da Beira, que não é por se viver no interior, que hoje não podemos, graças às muitas renovações tecnológicas, graças a muito trabalho de transformação da economia portuguesa, vencer na vida e ter negócios bem-sucedidos", defendeu o chefe do Governo.

"Como é possível que não perceba a gravidade do que aconteceu e do que disse? O BPN assaltou o país em 5 mil milhões de euros e Dias Loureiro é um dos principais responsáveis. E vem para a Assembleia da República dizer que é um exemplo?!?", protestou Catarina Martins.

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