Só com consenso entre os maiores partidos se sairá da crise, diz Henrique Neto

Candidato presidencial reúne-se com o PSD e PS na próxima semana para lhes apresentar o seu plano estratégico para o país – e não para pedir apoios porque não os quer, garante.

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Rui Gaudêncio

Perante uma plateia de meia centena de pessoas, num almoço do American Club, num hotel de Lisboa, o candidato defendeu que as forças políticas têm que trabalhar em conjunto pelo país e que o Presidente da República deve promover os entendimentos.

Caso seja eleito, promete uma aproximação não só aos partidos, mas a todos os sectores da sociedade, em especial aos empresários – com regularidade, em grupos relativamente pequenos, em vez de falar para centenas, como fazem actualmente Cavaco Silva e Pedro Passos Coelho – para ouvir as suas opiniões. Enquanto candidato vai começar pelos partidos: reunirá com o PSD dia 27 e com o PS no dia seguinte, adiantou ao PÚBLICO. Não para pedir apoio – ou auscultar sobre essa eventualidade -, mas para lhes descrever qual a sua visão estratégica para o país.

“Os empresários são absolutamente essenciais. São eles que têm sensores no mundo inteiro e podem avaliar e antecipar o que se irá passar na economia, os novos processos de produção, as novas tecnologias”, descreveu Henrique Neto. “Essas informações permitem ao primeiro-ministro e ao Presidente da República prever o que vai acontecer.” O Conselho da Diáspora, lançado por Cavaco Silva, é uma boa iniciativa, haveria de admitir depois, em conversa com o PÚBLICO, mas reúne com o Presidente “apenas uma vez por ano. É pouco.”

Questionado pela audiência, o antigo empresário e ex-deputado socialista afirmou que, em Portugal, o Estado “tem um poder claramente excessivo, que abafa as instituições e a sociedade”, favorecendo por vezes alguns sectores com subsídios e privilégios, “enfraquecendo o país”. Sobre os partidos, disse que têm “interesse na manutenção da oligarquia” e que isso “é um problema legal do sistema político”, que tem de ser revisto.

Sobre a sua estratégia de campanha, Henrique Neto disse ao PÚBLICO que irá começar a apresentar, de três em três semanas, a sua visão sobre temas fundamentais para o país. “Não é do âmbito do fait divers da política; são grandes frameworks de uma visão estratégica para o país a 10 ou 15 anos. Vou fazê-lo antes das legislativas” para “ver se têm eco nos partidos” e estes incluem as ideias nos seus programas eleitorais, adianta Henrique Neto.

Depois das presidenciais, e se for eleito, o antigo empresário considera que passa a ter uma “autoridade acrescida para poder dizer ao futuro Governo ‘a orientação estratégica do país é esta, e é para cumprir’”, ressalvando que as políticas “terão que ser definidas pelo Governo autonomamente, mas não podem contrariar a estratégia definida”.

No final da intervenção, Henrique Neto recebeu da directora do American Club, Anne Taylor, uma gravata com o símbolo do clube, com as bandeiras dos dois países. “Vai-lhe fazer falta quando for aos Estados Unidos ser recebido pela Hillary Clinton”, disse a anfitriã. “Seria bom: um sinal de que eu era Presidente da República e que seria uma senhora a receber-me na Casa Branca”, respondeu, rindo, Henrique Neto.