Cavaco Silva irritado recusa mais esclarecimentos sobre o BES

Presidente reagiu irritado às questões sobre encontros com Ricardo Salgado.

Cavaco deu a entender que não vai responder aos deputados
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Cavaco deu a entender que não vai responder aos deputados Reuters

O Presidente da República afirmou nesta sexta-feira não ter qualquer esclarecimento novo a fazer sobre o Banco Espírito Santo (BES) e deu a entender que não vai responder aos deputados caso tal seja solicitado pelo Parlamento.

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de os partidos da oposição o pretenderem ouvir no Parlamento sobre reuniões que teve com Ricardo Salgado antes da queda do BES, Cavaco Silva disse não ter nada de novo a dizer. Visivelmente irritado, afirmou: "O Presidente da República nunca revela aquilo que se passa com ele. O Presidente da República não tem esclarecimentos adicionais a prestar."

Cavaco afirmou ainda que sempre foi regra que tudo o que se diz ao Presidente em audiência em privado “é reservado” e assim continuará a ser.

O Presidente da República acusou também os jornalistas de mentirem sobre as declarações que fez em Junho sobre o BES.  "O Presidente da República nunca fez uma declaração sobre o BES. Na Coreia do Sul, não fiz uma declaração sobre o BES. Fiz três afirmações sobre o Banco de Portugal".

O Partido Socialista, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda querem que o Presidente da República explique à comissão de inquérito sobre o colapso do BES e do Grupo Espírito Santo (GES) o teor das reuniões tidas com Ricardo Salgado e que foram reveladas esta quinta-feira. Os três partidos exigem, igualmente, que Paulo Portas seja chamado à comissão, precisamente para explicar o que foi discutido no encontro com o antigo líder do BES.

Numa carta que enviou esta quinta-feira à comissão, Ricardo Salgado afirma que se reuniu duas vezes, no ano passado, com o Presidente da República, tendo alertado Cavaco Silva sobre os "riscos sistémicos" envolvendo o GES e o BES, e detalha outros encontros com Passos Coelho, Maria Luís Albuquerque, Carlos Moedas, Durão Barroso e Paulo Portas (cujo nome Salgado não referira quando foi ouvido, no início de Dezembro, na comissão de inquérito).