Sacos alternativos ao plástico multiplicam-se nos supermercados

Taxa de dez cêntimos entra em vigor a 15 de Fevereiro e as maiores cadeias estão a reforçar a oferta de embalagens não sujeitas a imposto. Minipreço decidiu assumir o custo do saco.

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Sacos vão custar dez cêntimos a partir de 15 de Fevereiro Paulo Ricca

Num dos hipermercados Jumbo, do grupo Auchan, há novas prateleiras onde é possível encontrar sacos para todos os gostos e feitios. Com ou sem rodas, grandes ou pequenos, dobráveis ou mais estáticos. No Pingo Doce, além dos sacos de ráfia ou com rodas há, agora, embalagens de papel. No Continente, reforça-se a oferta. E no Minipreço estudam-se outras soluções para que, a médio prazo, o saco de plástico desapareça.

A cerca de três semanas de entrar em vigor a taxa sobre os sacos de plástico, que vai custar aos bolsos dos portugueses dez cêntimos (com IVA incluído), as cadeias de híper e supermercados estão a apostar noutras alternativas, numa estratégia que parece passar pelo fim do plástico como material privilegiado para transportar compras. Os clientes terão de pagar pelo saco, mas a tendência será gastarem dinheiro em embalagens mais duradouras e reutilizáveis.

A cadeia Dia/Minipreço cobra actualmente três cêntimos por cada saco mas Ana Margarida Monteiro, directora de comunicação da empresa espanhola, avança que a “política inicial é só cobrar o valor da taxa”. “Estamos a avaliar alternativas”, afirmou segunda-feira, à margem de um encontro com a imprensa. A empresa vai assumir o custo do saco, de três cêntimos, e passa a cobrar dez cêntimos, mas vai aumentar a oferta. “A perspectiva é que o saco desapareça e que haja outras alternativas. Ou outro saco que custe dez cêntimos mas de melhor qualidade”, detalha.

O Pingo Doce cobra dois cêntimos pelo saco de plástico mas também já alargou a oferta a sacos de papel (12 cêntimos), além dos de ráfia ou com rodas. Ainda não se sabe o que o grupo Jerónimo Martins fará - se vai assumir o custo, cobrando apenas a taxa ao cliente ou, se pelo contrário, aplicará um preço total de 12 cêntimos. Contactada, fonte oficial escusa-se, "para já, a avançar mais informação", uma vez que "ainda decorre (até 15 de Fevereiro) o período transitório entre a publicação da portaria e a aplicação efectiva da taxa".

Num dos hipermercados Continente, este fim-de-semana, aguardava-se a chegada de novos sacos para substituir os que a cadeia oferece actualmente aos clientes para transportar artigos de maior volume. Fonte da empresa, do grupo Sonae (dono o PÚBLICO), adianta que “está já a trabalhar num conjunto de soluções, nomeadamente, o reforço da gama de sacos disponíveis nos seus hipermercados”. A intenção é “cumprir sempre as leis” e, em simultâneo, “encontrar alternativas que vão ao encontro das expectativas” dos clientes.

A nova taxa vai entrar em vigor a 15 de Fevereiro, no âmbito das medidas de fiscalidade verde aprovadas no final do ano passado. Pelos cálculos do Governo, deverá permitir um encaixe de 34,4 milhões de euros. Portugal tem de cumprir as metas da comissão Europeia que quer reduzir o consumo de sacos com uma espessura inferior a 0,05 milímetros. Bruxelas diz que quase 100 mil milhões de sacos são usados por ano, na Europa, e cada cidadão consome, em média, 198 sacos. Em Portugal o consumo estimado é de 466 por pessoa, mas os valores não são concretos e não se sabe ao certo quantos sacos são, efectivamente, consumidos. A intenção da taxa é diminuir o consumo para 35 sacos por pessoa por ano.

Recentemente, a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo (APHORT) voltou a criticar a nova lei e deu, como exemplo, o caso de um estabelecimento de take away que “facilmente” tem em armazém tem mais de 100 mil sacos. A lei proíbe a lojas de usar os sacos comprados antes de 15 de Fevereiro (e livres de impostos)  e o Ministério do Ambiente já sugeriu que as empresas tentem devolver o excedente aos fornecedores.