Direcção do PSD assiste em silêncio à saída de Jardim

Líder da distrital de Lisboa diz que o ex-líder madeirense é “daqueles que criticam, criticam, criticam e não apresenta soluções”.

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Jardim e Passos Coelho no congresso regional do PSD na Madeira Daniel Rocha

Alberto João Jardim está de saída, mas, aparentemente, com pouca vontade de se retirar da ribalta política. Já acenou que pode regressar ao Parlamento para ocupar o lugar de deputado e há dias, em declarações à RTP-Informação, ameaçou entrar na corrida presidencial, ainda que sem confiança na vitória, porque, diz, “as regras do jogo já estão definidas à partida”. A direcção do PSD evita fazer qualquer comentário sobre a saída de Jardim para evitar qualquer tensão com o histórico dirigente madeirense.

A possibilidade de Alberto João Jardim trocar a Madeira por Lisboa para ocupar o seu lugar de deputado é acolhida pelo líder do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, que não lhe poupou elogios. “Teria muito gosto em contar com ele nos quadros da nossa bancada. Teria mesmo muito prazer em que isso pudesse acontecer”, declarou Luís Montenegro numa entrevista esta quinta-feira à Antena 1.

O deputado madeirense, Guilherme Silva, encara o projecto de sucessão na Madeira “com toda a naturalidade” e sublinha que “todos temos um tempo e o doutor Alberto João Jardim definiu o seu tempo para sair”. Elogiando o novo líder do PSD regional, Miguel Albuquerque, o vice-presidente da AR considera que agora o “importante é que o PSD continue fiel aos valores das social-democracia como estrutura do PSD mais depositária fiel aos valores legados por Sá Carneiro”. Proclama também que o PSD continue a dar uma prioridade à dignificação do cidadão enquanto pessoa humana”. Sobre a possibilidade de Jardim vir a juntar-se ao grupo parlamentar, o deputado acolhe essa pretensão e diz mesmo que será “bom para Jardim e para a Assembleia da República”.

Os dirigentes com quem o PÚBLICO falou elogiam o legado deixado pelo ex-presidente regional. “É inquestionável esse legado”, afirma o líder da distrital do PSD-Lisboa que, no entanto, defende que “em democracia é importante a alternância e a renovação dentro dos partidos”. Miguel Luz considera que o “PSD-Madeira tem muito a ganhar com a nova liderança”, elogia Miguel Albuquerque como presidente da Câmara do Funchal e acredita que também ele fará tudo pelo desenvolvimento da Madeira.

O presidente da distrital de Lisboa considera “natural” que Jardim queira ser deputado, mas esse cenário traz-lhe à memória as críticas de Alberto João ao regime, à Constituição, às instituições que compõem o regime. “Eu prefiro aqueles que apresentam soluções e vejo pouco o doutor Jardim a apresentar soluções. É um bocadinho como aqueles que criticam, criticam, criticam, criticam, mas não apresentam soluções que levem à mudança do regime, da Constituição ou das instituições ou até sobre a reforma do Estado”. Criticas à parte, Miguel Luz espera que Jardim seja uma “voz construtiva, interventiva, em conjunto com o grupo parlamentar brilhantemente liderado por Luís Montenegro”.

Para o líder da distrital do PSD-Porto, Virgílio Macedo, a saída de Jardim do governo regional representa “um novo ciclo político vitorioso para o partido na Madeira”. O também deputado considera “natural” que o ex-líder do PSD-Madeira não queira ficar longe dos corredores do poder. “Para quem está na política durante tanto tempo torna-se difícil tomar a decisão de se afastar. Ocupar o seu lugar de deputado é um direito que lhe assiste. Cabe-lhe decidir ser é adequado e apropriado fazer esse regresso ou não”, declarou ao PÚBLICO.

Numa altura em que se perfilam pelo menos duas candidaturas na área do centro-direita, Virgílio Macedo evita comentar a possibilidade de Jardim entrar na corrida em direcção ao Palácio de Belém. ”Tem-se falado muito de presidenciais antes das presidenciais vai haver eleições legislativas que o PSD tem de ganhar e que são extremamente importantes para o país e para os portugueses”, afirma o deputado, sustentando que é nesse sentido que o “partido tem de estar concentrado a fazer o seu trabalho político de proximidade junto de todos os eleitores e vencer as eleições para que Portugal não regresse ao passado”.