Altice em negociações para comprar a Portugal Telecom

Os donos da Cabovisão e da Oni estão em negociações para comprar a Portugal Telecom (PT). O objectivo do grupo francês, detido pelo bilionário Patrick Drahi, é garantir um grande operador integrado de telecomunicações, à semelhança do que tem feito em mercados como o francês.

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PT investiu em instrumentos de dívida de empresas do universo GES PÚBLICO/Arquivo

“As negociações começaram há algumas semanas”, afirmou ao PÚBLICO uma fonte ligada ao processo. Sem revelar detalhes sobre preço e calendário, a mesma fonte sublinhou que a PT é uma empresa “forte no fixo e no móvel” em Portugal e que encaixa dentro da aposta estratégica da Altice em oferecer serviços convergentes de telecomunicações.

“Desde que entrou em bolsa, a Altice tem estado a olhar atentamente para oportunidades de crescimento em todos os mercados em que está presente, e a Altice está presente em Portugal”, disse ao PÚBLICO fonte oficial do grupo francês. Contactadas, a PT e a Oi não quiseram comentar o tema.

A Altice entrou no mercado português em 2012 com a compra da Cabovisão e, no ano passado, adquiriu a Oni, grupo de comunicações empresariais. A mensagem transmitida pelos responsáveis destas empresas foi sempre a de que o accionista pretendia continuar crescer no mercado português, onde tem apostado nas aquisições. O grupo, que tem presença em vários países, protagonizou recentemente um negócio milionário ao vencer a Bouygues Telecom na disputa pelo controlo da operadora móvel SFR. A Altice comprou a SFR à Vivendi por mais de 13.500 milhões de euros, para fundi-la com a sua operadora de cabo Numericable.

A notícia de que a Altice estaria próxima de concretizar uma oferta pela dona do MEO foi avançada na semana passada pela REDD, uma agência norte-americana de informação especializada para investidores, e divulgada depois pela edição online da revista Veja. Segundo a publicação brasileira, o negócio (que a Veja diz que deverá ser anunciado no final deste mês, a seguir às eleições brasileiras), poderia estar incluído numa operação de fusão entre a Oi (com a qual a PT está em processo de fusão, com conclusão prevista para o primeiro trimestre de 2015) e a Tim Brasil.

Na sequência destas notícias, a cotação da PT disparou ontem em bolsa. Os títulos da operadora foram uma das poucas excepções em dia de quedas no PSI 20, subindo 4,76%, para 1,63 euros, o que a tornou na estrela do dia. As notícias trouxeram várias leituras aos analistas de mercado, que se dividiram entre quem considera que o negócio aumenta a incerteza em torno da concretização da fusão com a Oi (cujos termos tiveram de ser negociados depois da crise provocado pelo investimento de 900 milhões de euros em dívida da Rioforte) e aqueles que vêem no encaixe que vier a ser gerado pela operação uma forma de o grupo brasileiro se capitalizar para tomar parte nos movimentos de consolidação do mercado brasileiro.

O negócio de fusão entre a Oi e a PT, que implicou a transferência de todos os activos da empresa portuguesa para a operadora brasileira (entre eles as participações em empresas africanas, como a angolana Unitel), fez crescer rumores em torno de uma possível aquisição do negócio português (a PT Portugal) por empresas bem capitalizadas. Da Vodafone, à Altice, passando mesmo pela espanhola Telefónica (que já foi accionista de referência da PT e que é rival da Oi no Brasil), todas têm sido apontadas como potenciais compradoras da empresa.

Os rumores têm deixado os trabalhadores da PT cada vez mais preocupados. Fonte da Comissão de Trabalhadores da PT adiantou ao PÚBLICO que a entidade vai pedir uma reunião ao presidente executivo da PT Portugal, Armando Almeida, mas também um encontro com o ministro da Economia, António Pires de Lima. “A CT acompanha estas notícias com muita preocupação e entende que têm de ser tomadas medidas para que uma empresa bandeira como a Portugal Telecom não desapareça e não seja vendida ao desbarato”.